
Não sei quantas e quantos de vós já estiveram dentro de uma pegada de dinossauro com cerca de 175 milhões de anos. Eu já estive e, além de fascinante, é uma sensação complexa, pela difícil concretização da ideia de estar, no presente, numa pequena cratera, produzida por um ser vivo de uma espécie extinta que, naquele caso, podia ter tido até 30 metros de altura e pesar 70 toneladas.
Mais quando a primeira vez que o fiz foi num momento em que ainda não abundava o acesso fácil à informação e à imagem que a internet e televisão/streaming proporcionam ou aos parques temáticos que, conjuntamente, permitem maior concretização.
Essa primeira vez seguiu-se a 3 acontecimentos significativos para mim naqueles anos próximos: um livro que recebi, hoje impossível pela crueza da informação e imagem e, até, pela informação hoje existente e não existente à época, livro que esteve no meu quarto de infância até ao dia em que mudou para o quarto do meu filho mais velho; o filme e todo o “universo Jurassic Park”; e todo o debate em torno da Pedreira do Galinha, ali a poucos km da minha aldeia, onde se tinham descoberto os trilhos de pegadas e onde meses (anos até) de debate se prolongaram até à abertura do parque das “Pegadas dos Dinossauros da Serra de Aire”. Hoje serão poucas as crianças que não visitaram já uma exposição ou um parque temático com reproduções próximas de diferentes dinossauros e/ou que não tenham acedido a ampla informação, imagens, vídeos sobre dinossauros. Mas…
O meu fascínio, o nosso fascínio, é o fascínio dos meus e nossos filhos, das crianças de hoje e, penso, de amanhã. Aqui e Mundo fora.
Fascínio que nos une, também porque atravessa gerações, reforçando a nossa curiosidade pelo que nos rodeia, pelo nosso passado, pela nossa história, pelo nosso planeta. Ainda, porque trata de seres vivos poderosos e gigantes, algo particularmente magnético para crianças e que se associa à atracção destas por meios de transporte / veículos de grandes dimensões (algo que também, hoje, testemunho) como autocarros, camiões, tractores, comboios ou aviões, estes últimos “voadores” como alguns dinossauros.
Podemos chamar-lhe “hiperfixação” ou “um especial interesse”. É comum, natural, talvez até desejável, seja face a dinossauros, como em tantas crianças, seja face a outro tema. Estimula o jogo baseado na imaginação e conceptualização, sendo particularmente benéfico para o desenvolvimento cognitivo das crianças pois requer (mais) atenção, persistência e aprofundamento da informação, além de relacionamento com outra informação e memória.
As férias, incluindo as “férias grandes”, são momentos relevantes para as famílias percorrerem estes especiais interesses das crianças. As escolas, aí à porta, em qualquer ciclo de estudo incluindo o pré-escolar, são instituições relevantes para reconhecerem e validarem os especiais interesses de cada aluna/o e garantirem espaços para o seu desenvolvimento, por exemplo, através de trabalho em equipa, grupo ou de projecto.