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2 minutos e a amalhada do curto prazo

Apenas uma em 8760 horas. Se pensarmos o tempo que dista da actualidade ao momento do primeiro ser vivo na Terra como um ano (12 meses, 365 dias, 8760 horas), a extinção dos Dinossauros aconteceu, precisamente, no dia de Natal (25.12), o primeiro Ser Humano surgiu às 23h do último dia do ano e da Agricultura às 23h58m desse dia. Dois minutos apenas, algo que nos deveria fazer reflectir sobre a quantidade imensa de passado atrás de nós e sobre, esperamos, a quantidade imensa de futuro à frente de nós.

Fazer-nos reflectir sobre o que somos e o momento que somos.

Sobre, no fundo, como importa resistirmos à tentação de assumirmos posições e tomarmos decisões que – respondendo a situações circunstanciais, aproveitando erros ou falhas de outras/os ou procurando-se benefícios individuais ou para o nosso grupo – condicionam decisivamente o futuro e não correspondem a benefícios no presente e futuro para o bem-comum, obstaculizando-o ou dificultando a vida de determinadas pessoas ou grupos.

Sobre como importa prevenir que o impulso de um Mundo e de uma sociedade (também digital) que tende, hoje, para o imediato e em que o sistema de estímulos, de recompensas e até de reconhecimento (social) nos impele a assumir posições e tomar decisões demasiado centradas num “aqui e agora” considerando, menos, os impactos no futuro, nas outras e nos outros e a justiça intergeracional.

Penso-o num momento em que vamos para eleições em Portugal muito em breve e um pouco por todo o Mundo, mais tarde este ano. Penso-o num momento em que, contraditoriamente, esta tensão cresce ao mesmo tempo que cresce, significativamente, a necessidade de pensarmos a longo prazo, considerando as transformações e desafios que nos esperam, da crise climática às alterações que advirão do desenvolvimento tecnológico, passando pelos riscos de saúde pública (futuras pandemias, …) ou geopolíticos (Guerras, ameaças à liberdade de democracia, …) que o Mundo vivencia.

É momento de, também, introduzirmos na reflexão e na acção uma noção mais ampla do tempo que vivemos e projectarmos um futuro mais distante, além do nosso tempo, influenciando o futuro, considerando o legado e a prosperidade individual e colectiva.

É este o tempo da política e das políticas responderem, também, a estas dimensões, prevenindo-se discursos e acções que atendam, exclusivamente, a ganhos de curto prazo, não considerando externalidades e impactos negativos a médio e longo prazo. É este o tempo de se considerar a promoção do bem-estar individual “aqui e agora”, é certo, mas a par das possibilidades de bem-estar colectivo e “ali e no futuro”. Se o conseguirmos, em Portugal e no Mundo, deixaremos um país e um Mundo melhor para quem nos seguirá e, contribuirmos para isso e o seu significado é, no final, fundamental ao nosso bem-estar hoje, individual e colectivo.

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