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TSF, Liberdade, Democracia, Pobreza e Problemas de Saúde Mental na primeira infância

Ontem a TSF fez 36 anos. Também ontem a TSF, diria eu (assim senti), em forma de homenagem às e aos profissionais que a construíram e constroem (e cuja situação desafiante bem conhecemos), dedicou o seu Fórum à Democracia. Democracia que ao longo destes últimos 36 anos a TSF também tem ajudado a construir. O mote foi “Direitos e Liberdades em queda para 20% da população mundial” e o debate, em plena campanha eleitoral em Portugal, partiu de mais um relatório da Freedom House que assinala 2023 como o 18º ano consecutivo onde “a liberdade no Mundo diminuiu”.

Liberdade que, dependendo da Democracia, a influencia. Liberdade que, tantas vezes é reduzida, coartada, também por problemas de saúde mental que limitam a autodeterminação das pessoas, o seu florescimento e cumprimento. Liberdade que, tantas vezes é reduzida, coartada, também pelas desigualdades e situações de pobreza. Liberdade que, tantas vezes é reduzida, coartada, desde a primeira infância.

Com a Paula Duarte e o Joaquim Cerejeira escrevi sobre estas dimensões, como se interligam e influenciam mutuamente. O artigo (“Pobreza e problemas de saúde mental nas crianças e famílias: as duas faces da mesma moeda”), que partilho, resulta da nossa participação num debate do Projecto Europeu “Let’s Talk About Children” e procura ser um contributo para pensarmos estes fenómenos e advogarmos por políticas (públicas) mais responsivas às causas e consequências dos mesmos.

Nele sublinhamos que “uma estratégia eficaz de combate à pobreza tem que considerar, obrigatoriamente, a promoção da saúde mental, da mesma forma que a saúde mental da população depende de uma diminuição das situações de precariedade, pobreza e exclusão, particularmente nas crianças e jovens.” Defendemos, também, “políticas de promoção da natalidade e sociais, que apontem aos primeiros 1000 dias de vida de um bebé e aos impactos negativos no seu desenvolvimento integral, resultantes da exposição a situações de stresse significativo; a revitalização do modelo de intervenção precoce na infância e do conjunto de intervenções educativas, sociais e de saúde, incluindo saúde mental; a generalização do acesso a contextos educativos de qualidade a bebés e crianças dos 0 aos 3 anos e o investimento em programas de formação e desenvolvimento profissional docente; a melhoria da qualidade do acolhimento residencial e reforço dos mecanismos de prevenção da violência doméstica e de reparação/mitigação de situações traumáticas”.

Terminamos referindo ser “necessário, cada vez mais, que diversos agentes da sociedade civil se unam no compromisso de prevenção e redução à exposição de fenómenos de pobreza e exclusão das crianças e jovens”. Porque também disso depende a qualidade da Democracia no presente e para o futuro e a Liberdade de todas as pessoas. Hoje, amanhã e depois.

Fórum TSF (29.02.2024) 

Freedom in the World

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