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Ainda a pobreza em Portugal…

Ontem assinalou-se o Dia Mundial da Justiça Social, data instituída pelas United Nations com o duplo objetivo de promover “o emprego decente, especialmente para as mulheres e jovens” e a “construção de sociedades mais justas e equitativas”.

Comemoramos a data a caminho das Legislativas de 2024 e num dia em que se publicaram dados do inquérito “Rendimento e condições de vida – Pobreza, trabalho e educação 2023” que, entre outros, indicam 1) que o risco de pobreza de pessoas em situação de desemprego foi em 2022 significativamente maior (46,7%) que o de pessoas empregadas (10%) e reformadas (15,4%) e 2) que o nível de escolaridade é um factor chave na redução da pobreza porquanto em 2022 foram 5,8% as pessoas em risco de pobreza com ensino superior face a 13,5% com o ensino secundário e 22,6% com o ensino básico.

Conversei sobre estes dados com a jornalista Sara Rodrigues Tainha em reportagem da SIC que partilho. Assinalei, desde logo, como a dimensão emprego foi tão relevante num ano de 2022 “particularmente difícil”, onde vivemos a “maior inflação dos últimos 30 anos”. Emprego aqui proporcionador de “segurança, previsibilidade e de algum controlo para a vida das pessoas, garantes fundamentais da saúde e bem-estar”.

Falamos também do projecto “.Final à Pobreza” da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), da relação das situações de pobreza com os problemas de saúde mental e da importância da educação na interrupção de ciclos geracionais de pobreza. Reforcei que “crescer num ambiente pautado pelo stresse associado a situações de pobreza e exclusão é, por si, um indicador negativo e preditivo de potenciais situações de pobreza no futuro”, pelo impacto decisivo no desenvolvimento, na educação e na saúde.

Disse, finalmente, que “estamos a viver um momento de campanha eleitoral” e que é muito importante que a pobreza e a sua erradicação “possa ser um tema… Um tema central da campanha”. Proponho que, a este propósito, se reflicta sobre as propostas da UNICEF Portugal, apresentadas pela Beatriz Imperatori, e sobre os contributos e propostas da OPP (ver ambas abaixo).

Proponho que reflictamos sobre o papel de cada um/a neste caminho e tenhamos sempre presente que um país com menos pessoas em situação de pobreza, menos desigual, mais justo e mais coeso é um país com maior potencial de desenvolvimento, de prosperidade e onde todas as pessoas, independentemente da sua condição, terão mais possibilidades de viver melhor.

 

Reportagem SIC

Rendimento e condições de vida – Pobreza, trabalho e educação 2023, INE

Legislativas 2024, UNICEF

Legislativas 2024, OPP 

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