
Isaac Asimov é, para muitas pessoas, a figura mais importante da “ficção científica moderna”. Foi um cientista e um autor extraordinário, com uma obra vasta e um legado muito relevante no pensamento e comunicação da ciência, na literatura e, através deles, no desenvolvimento tecnológico, com particular incidência nas áreas da robótica, da inteligência artificial (IA) e da reflexão ética sobre os seus impactos nas pessoas e sociedade. Morreu em Abril de 1992, 15 anos antes do primeiro iPhone.
Mathias Théry, realizador francês, montou em documentário (“Isaac Asimov, Uma mensagem para o futuro”) um trabalho interessantíssimo que resulta da IA, hoje, tão proficuamente imaginada por Asimov há muitas décadas. Partindo de trabalhos escritos, participações na comunicação social, aulas e outras intervenções públicas, é construído um texto dito por um Asimov cujo rosto foi recriado e animado por IA.
Um texto que começa sublinhando que a “ficção científica, para a maioria dos não familiarizados com o tema, significa livros de comics e filmes de terror”. Diz, Asimov que, é muito mais que isso e que sendo um “ramo recente da literatura, uma criação com dois séculos, preenche as mesmas necessidades que durante milhares de anos tinham pertencido aos antigos mitos e lendas… A necessidade de histórias colectivas, o anseio pelo espantoso e o desejo de decifrar os mistérios do Mundo.” Diz, Asimov, “todos os dias escrevi de modo a imaginar o que vos [a nós, seres humanos no século XXI] poderia acontecer porque estava convencido que a ficção científica pode ajudar a humanidade por conter poderes que são mais do que nunca necessários à sobrevivência da espécie”.
Ao longo do documentário procura-se explorar esta questão, particularmente a partir da assunção de Asimov que é o facto da ficção científica aceitar e propor pensar as histórias numa sociedade diferente – futura e com mudanças – que nos ajuda a preparar e a participar, intervir e condicionar essa mudança. “Ilumina a condição humana”, diz.
O documentário termina com Asimov a referir que não tem pena de não ver nenhum dos “futuros possíveis”, porque estudou, imaginou e escreveu sobre muitos futuros deles como se tivesse lá estado. “A minha mensagem é que a ciência e as novas tecnologias, se bem direccionadas, conseguem resolver os sérios problemas que enfrentamos hoje. E que também conseguem aniquilar a sociedade. É por isto que penso que as gerações jovens têm uma missão, de adquirir o conhecimento que lhes permita influenciar o uso que será dado a estas tecnologias.”
É por isso que acrescento que todos, mas em particular as gerações jovens, têm a missão de contribuir para uma sociedade melhor para todas as pessoas, conhecendo-a, participando e influenciando-a, também politicamente. Para imaginarmos futuros, melhores.
Para não apenas respondermos à pergunta que abundantemente Asimov fazia – “Para onde vamos? Para onde vamos?” – mas influenciarmos decisivamente a sua resposta.