“You belong here”. Este “pertences aqui” foi a impactante assinatura da Convenção da American Psychological Association de 2023. E o “pertences aqui” ganha particular relevância quando ali estamos, num país e numa associação com enormes complexidades, entre as e os que constroem e desenvolvem a nossa ciência (das/os jovens investigadoras/es às históricas referências) e que, dia-a-dia, um pouco por todo o Mundo, a advogam e praticam, por vezes em condições muito exigentes.
Pertences aqui. Pertencemos aqui. A uma ciência e profissão que tem a possibilidade mas, sobretudo, o dever de olhar o micro mas também o macro, de olhar o local, o nacional, o regional, o global. Uma ciência e profissão que deve integrar isso mais e mais nas suas práticas de investigação e intervenção, incorporando especificidades e, mesmo que muito mais difícil, aproximando a ciência das pessoas que pretende impactar na forma como a faz e a transfere para a sociedade civil, para decisoras/es e nas suas práticas, aumentando a sua eficácia e eficiência, o impacto e garantindo mais confiança das pessoas na ciência e nos profissionais.
Uma ciência e uma prática que deve prosseguir o multilateralismo. Uma ideia de construção conjunta a partir de uma base identitária de uma psicologia no quadro dos direitos humanos a contribuir para a possibilidade de autodeterminação de todas as pessoas. Algo para o qual procurei contribuir na sessão (e grupo de discussão) “Moving Forward a Global Perspective: Developing Effective Strategies” [Construindo uma Perspectiva Global: Desenvolver Estratégias Específicas], onde coordenei o grupo de trabalho em torno dos contributos da psicologia para a erradicação da pobreza, conjuntamente com a representação da USAID – Bureau for Humanitarian Assistanceque coordenou o grupo sobre a erradicação de terapias de reconversão sexual e oFernando de la Mora Salcedo das United Nations que coordenou o grupo dos contributos para a melhoria de acesso a serviços na área da saúde mental.
Uma ciência e uma prática que deve advogar pela saúde pública e pela protecção das pessoas. Num tempo de crescente obscurantismo e de desafios e questionamento à ciência, reforçar a sua ligação às pessoas, promover a confiança e a forma como “entrega” resultados positivos é fundamental. Também aqui, algo para o qual procurei contribuir na sessão “Is Psychotherapy a Separate Profession from Therapy Delivered by Psychologists?” [É a Psicoterapia uma profissão separada da Psicologia?] num quadro internacional, discussão a partir da realidade e dos contributos dos EUA discutidos pela Amanda Clinton, Ph.D., de Espanha pelo Manuel Berdullas (Consejo General de la Psicología de España) e de Portugal, por mim apresentados e reflectidos, com contributos fundamentais do David Dias Neto.
Isto, além dos diversos encontros/reuniões com associações congéneres e com boas e importantes, creio, perspectivas para o futuro, também para a psicologia em Portugal.
Pertences aqui. Pertencemos aqui.