É inestimável a importância da ciência. Na psicologia, como em outras áreas, na conceptualização, no desenvolvimento de instrumentos e metodologias e na definição de protocolos de avaliação e intervenção baseados em evidência, é certo. Mas, também, nas dimensões macro fundamentais à sua disseminação e à sua transferência com impacto social, desde a promoção de literacia à tão importante, mas nem por isso pouco desafiante, informação ao desenho, avaliação e implementação de políticas públicas.
Na publicação da @The British Psychology Society procuro dar um exemplo de como a investigação sobre as causas e os impactos da vivência em situação de pobreza e de exclusão (parte significativa com contributo da ciência psicológica) tem permitido a densificação do conceito dos “1000 dias” e de como essa evidência deve informar as políticas públicas, nomeadamente sobre o quão fundamental pode ser na redução de ciclos de pobreza, mitigar estas situações em famílias em processo de gravidez e nos dois primeiros anos de vida do bebé. Algo sobre o qual temos vindo a trabalhar e advogar em Portugal.
Fi-lo em Brighton (UK), em Julho passado, aquando do 18º Congresso Europeu de Psicologia e logo após o Keynote que nele apresentei: “Multiple contributions of psychology to a “Full Stop to Poverty” – The role of psychological science, practice and professional associations” [“Múltiplos contributos para um “.Final à Pobreza” – O papel da ciência e da prática psicológica e das suas associações profissionais”].
O contributo para o desenho de políticas é essencial para maior e mais rápida generalização dos seus benefícios e dos impactos da ciência para a promoção, neste caso, da possibilidade de autodeterminação e de bem-estar para todas as pessoas. Em tempos particularmente desafiantes para a ciência é importantíssimo, também por este papel, que reflictamos sobre a história da nossa relativamente jovem, mas, muito importante ciência, procurando compreender os erros cometidos no passado e reforçando os mecanismos para, a cada dia, produzirmos mais e melhor ciência, reforçando a confiança das pessoas e sociedade nela e a sua capacidade de produzir impacto social.
Ps. Para mais informações sobre os “1000 dias” partilho duas publicações com alguns meses. Um artigo exactamente titulado “1000 dias” e a minha participação no programa da “É ou não e” (@RTP) sobre pobreza em que discuto sobre o tema.