Categories
Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Política Psicologia

O país precisa de mais saúde pública. A saúde pública precisa de mais psicologia.

Penso ser inegável que a psicologia tem hoje mais “voz e participação na sociedade e que isso contribui para a diminuição do estigma, para o aumento da literacia e do conhecimento e para uma maior participação da ciência e das/os profissionais no debate público e em diferentes contextos, da educação à saúde, passando pela área social e comunitária, desporto e actividade física e, muito importante, das organizações. Em todas estas áreas, mas a ritmo diferente. Na saúde subsistem 2 áreas em que tarda a integração mais consistente da ciência e de mais psicólogas/os: os cuidados de saúde primários e a saúde pública.”

“O país precisa de mais saúde pública. A saúde pública precisa de mais psicologia”, 62º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) responde à questão: “Beneficiaria a saúde pública em Portugal de ter mais psicólogas/os nas suas equipas e de ter mais conhecimento e ciência psicológica no seu planeamento e na sua gestão e administração?”

“Sim, estou certo de que sim. Tal qual estou certo de que a experiência da pandemia o demonstrou possível e os desafios do presente e futuro o exigem”, respondo.

Faço-o afirmando que “a saúde pública tem e terá uma importância significativa, além da resposta a situações de crise, na melhoria dos indicadores de saúde do país (…) e na redução de desigualdades.”

Faço-o afirmando que os contributos das/os psicólogas/os e da psicologia, enquanto ciência comportamental, vão “além dos papéis mais tradicionalmente atribuídos na promoção da saúde mental (…) ou em situações de crise ou catástrofe”, podendo contribuir para o melhor desenho e efectividade das políticas, para melhores processos de investigação e avaliação, para o trabalho conjunto, multidisciplinar e de consultoria, formação, mobilização ou de educação psicológica deliberada, na transição digital, big data ou na capacitação de consumidores de saúde e melhoria de processos de comunicação.

Faço-o afirmando que “persistem barreiras históricas a esta maior integração que começam na compreensão do papel dos profissionais, na sua incorporação na legislação que enquadra as equipas e a sua actividade” e na (ainda) associação da “saúde pública à doença, particularmente às doenças físicas e a um modelo excessivamente, senão exclusivamente, biomédico, centrado, portanto, na/o médica/o, modelo para o qual são dirigidos os principais incentivos financeiros e recursos humanos.”

Mudar é fundamental sendo “necessário que, paralelamente ao aumento de recursos humanos, decorrente das maiores necessidades presentes e futuras, se diversifique a gestão e constituição das equipas e as suas competências, melhorando capacidades, eficiência e apontando a uma visão mais biopsicossocial de pessoas e comunidades como preconizado pela World Health Organization a partir do conceito “uma só saúde” e na advocacia pelo reforço do investimento em abordagens multissectoriais e multidisciplinares de saúde pública.”

“Nada mais essencial, também em Portugal.”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *