
Esta é uma das vistas da praia de Ribeira d’Ilhas (Ericeira), quando olhada da estátua à/ao Surfista. Uma de um conjunto de lindas praias da costa portuguesa, algumas que frequentaremos nas próximas semanas. Esta com duas particularidades. Ser próxima de onde vivo, logo local de fruição com família e encontro com amigas/os. Ser particularmente apreciada por praticantes de Surf, sejam amadoras/es ou profissionais.
Um deles, embora amador, nada tem de desconhecido. Eddie Vedder, desde há muito, quando em Portugal, procura-a para praticar Surf, contactando com a natureza e, como refere, sentindo-se “mais um” nesse encontro. Já o fez após o seu trabalho “Into the Wild”, banda sonora do filme com o mesmo nome, onde aborda esta busca da natureza em músicas como a “Guaranteed” que, numa tradução possível, assim começa:
“De joelhos dobrados não é forma de ser livre;
Erguendo um copo vazio, pergunto em silêncio;
Que todos os meus destinos aceitem aquele que sou;
Para que possa respirar“
Por aqui, há dias, escrevi a propósito da falácia do apelo pelo natural quando conjugado com a negação da ciência e, ainda mais, quando estimula desigualdades. Hoje, porém, gostava de reflectir um pouco sobre a importância do natural (e da natureza) quando conjugado com a ciência e, ainda mais, na procura da equidade e iguais possibilidades para todas e todos.
Faço-o partindo, exactamente, de um “Into the Wild”, título de uma metanálise de estudos que tratam o impacto de intervenções psicológicas/psicoterapêuticas em contexto natural (fora de gabinetes convencionais) que discute os seus prós e desafios, permitindo pensar este tipo de intervenção como potencialmente promotoras de melhores resultados, em determinadas circunstâncias e pessoas.
Faço-o pensando nas novas formas que a psicologia tem encontrado (e deve continuar a procurar) para chegar a mais pessoas, em diferentes contextos e momentos de vida, considerando os enormes desafios hoje da saúde mental e bem-estar. Formas que devem ir além das “clínicas” (ainda que fundamentais em determinadas situações) e incluir, mais e mais, caminhos para a prevenção e promoção da saúde mental ao longo da vida. Desde logo informando e apoiando a formação de outros profissionais nestas dimensões, particularmente quando com funções essenciais na sociedade civil desde as Escolas aos estabelecimentos que mais directamente contactam com pessoas como pastelarias ou restaurantes, cabeleireiros/barbeiros e salões de beleza aos clubes e associações desportivas, recreativas, culturais e/ou religiosas.
Caminhos fundamentais para mais psicologia, mais próxima das pessoas e mais personalizada às necessidades de cada um/a. Para uma sociedade mais sensitiva e mais promotora de saúde mental. Para uma sociedade menos (Into the) “Wild” e mais “Guaranteed” (for all).