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Dia Mundial das Redes Sociais

“Um em cada quatro jovens em Portugal utiliza as redes sociais mais de 6 horas por dia. É evidente que este é um comportamento inapropriado, desde logo porque essas 6 horas não podem ser utilizadas noutro tipo de actividades que poderiam ser importantes para o seu desenvolvimento e participação social.”

Parte da conversa que tive com a Cristina Freitas, na SIC Notícias, na manhã de Domingo, Dia Mundial das Redes Sociais que partilho. Conversa sobre a utilização das redes sociais e os seus impactos, sobretudo na população mais jovem. Sobre um tema tão importante e, creio, tão urgente.

Porque certamente todos sentimos os seus impactos. Os menos positivos, conforme os referidos no enquadramento da peça, a partir de declarações da minha colega Sofia Ramalho, nomeadamente na diminuição do diálogo entre gerações, na dependência e na saúde mental. A estes, na peça, acrescento que quando o uso é desadequado (referindo que isso depende dos tempos, momentos e objectivos de utilização e de características individuais de quem utiliza), podem existir outras consequências negativas na saúde e bem-estar, como a diminuição da prática de actividade física, participação social, alterações no sono, no comportamento alimentar ou um maior isolamento. Assinalo, ainda, impactos negativos em dimensões emocionais e na auto-estima quando a utilização visa o contacto e partilha com conteúdos violentos ou tendentes à comparação social.

Mas, na conversa, procuro sublinhar existirem também um conjunto de impactos positivos da utilização, quando adequada, das redes sociais. Entre outros que poderia ter focado, refiro a relação e conexão com pares, o maior suporte social e a partilha, participação e envolvimento em grupos, iniciativas e organizações.

Abordo, ainda, a importância da supervisão dos adultos de referência desta utilização por parte da população mais jovem, seja a partir da família ou dos contextos de educação formal e não formal, advogando pelo estabelecimento de canais de comunicação que permitam conhecermos e apoiarmos a sua participação, protecção e segurança em ambiente digital.

Termino procurando assinalar um conjunto de contributos que a psicologia pode aportar a esta conversa. Desde logo na literacia e apoio às tomadas de decisão, mais individuais (pessoas e famílias) e de desenho de políticas, a partir da informação e conhecimento da ciência psicológica – a esse propósito a Ordem dos Psicólogos Portugueses disponibilizará em breve um conjunto de documentos/contributos e este será um tema central do seu próximo congresso. Ainda, e finalmente, na intervenção e apoio que psicólogas e psicólogos podem disponibilizar junto de pessoas com usos mais problemáticos das redes sociais ou com problemas que desse uso decorram.

Uma conversa que devemos continuar… Uma conversa que necessita da participação de todos.

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