“Que Ulisses nos proteja dos lotófagos e do esquecimento, permitindo que se torne urgente o que as urgências não permitem ser urgente nos Serviços de Urgência (SU) dos Hospitais do SNS”, passagem que, baseada na epígrafe do livro que me encontro a ler, escolhi para epígrafe do…
“Como tornar urgente o que as urgências não permitem ser urgente nos Serviços de Urgência”, 75º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) que reflecte como “as sucessivas “urgências” no SNS e, mais especificamente, nos seus SU, não têm permitido, há anos, que a urgente modernização e reestruturação do seu modelo e valorização dos seus profissionais possa ser planeada, implementada e avaliada, com a participação e contributo das diferentes áreas e intervenientes.”
Explicando porque entendo que esquecimentos e conclusões “lotófagas”, “quase sempre assentes numa ideia preconcebida, não raramente ideológicas e pouco suportadas na melhor evidência e sempre influenciadas por casos específicos” não o permitem. Mas na “ilha dos lotófagos” de Homero, além da amnésia auto-induzida, existia esperança, “sob a forma de uma eterna possibilidade de começar de novo.”
“O processo de reforma em curso, baseado na portaria “Resposta de proximidade às necessidades assistenciais em situação de urgência”, recentemente em consulta pública, representa uma nova esperança e oportunidade de mudança e melhoria. Como qualquer processo desta natureza, onde qualquer um/a de nós alteraria, retiraria e acrescentaria elementos” (…), beneficia (entre outros, detalhados no artigo) da observação e reflexão de diferentes experiências e das transformações em curso na área da saúde, nomeadamente da digitalização e de outros avanços tecnológicos.
Beneficia, ainda, do contributo da ciência psicológica e das psicólogas e psicólogos:
- Para melhor organização, compreensão, comunicação e avaliação do sistema, envolvendo quem o utiliza;
- No reforço da promoção da literacia em saúde, elemento fulcral à prevenção e promoção de saúde, ao auto e heterocuidado e à melhor utilização dos serviços e recursos disponíveis;
- na definição de percursos e comunicação do que deve esperar a/o utente e acompanhante/s no SU, promovendo-se previsibilidade, segurança e percepção de controlo;
- no apoio à gestão de situações de dor, stresse ou ansiedade agudas, de crise, emergência ou sofrimento intenso e na garantia de suporte emocional a utentes, acompanhantes e, em algumas situações, aos próprios profissionais;
- no contributo para processos mais eficazes e personalizados de comunicação de informações clínicas e/ou de más notícias, considerando os impactos emocionais das mesmas.
“Parte destes (importantes) contributos pode ser observado in loco no Hospital de São João onde, desde 2021 e com a integração de um/a psicóloga/o na equipa do SU, tem sido desenvolvido um projecto, amplamente reconhecido como uma prática relevante e com impactos positivos.”