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Maria Lamas

Muitas e muitos de nós andamos em Escolas com nomes de personalidades que admiramos. Assim foi comigo. Estudei no meu terceiro ciclo e secundário numa Escola com o nome de uma Mulher, minha conterrânea, essencial na história e compreensão do feminismo e do desenvolvimento e progresso social em Portugal – Maria Lamas.

Foi jornalista, escritora, investigadora, tradutora, fotógrafa e, fundamentalmente, uma activista, lutadora pelos direitos cívicos e humanos, quando sê-lo se “pagava” com a liberdade (foi presa pelo Estado Novo três vezes), com o exílio (como tantas e tantos, viveu exilada em França) e, por vezes, com a vida.

Apesar deste importantíssimo contributo, o seu trabalho não é amplamente conhecido e acessível. Felizmente o @PUBLICO recentemente disponibilizou uma edição da sua obra principal – “As Mulheres do Meu País”, um livro que publicou entre 1948 e 1950 em 15 fascículos para “fugir” dessa forma à censura. Livro que resulta do seu trabalho, de base etnográfica, de documentação da vida de Mulheres portuguesas, procurando expor, por um lado, as desigualdades sociais e económicas daquele Portugal e, por outro, as fortíssimas disparidades de género e o quanto isso implicava na possibilidade de liberdade, saúde e bem-estar das Mulheres. Livro “marco” na luta pela igualdade de género e pela justiça social naquele e nos períodos que se lhe seguiram.

Partilho estas palavras convosco, hoje, com duas propostas:

  1. Que, sendo-vos possível, visitem a exposição “As Mulheres do Meu País” que desde sexta-feira está na @Fundação Calouste Gulbenkian e que, apresentando a Maria Lamas, mostra o trabalho fotográfico que acompanhou estas suas viagens por todo o país, recolhendo as imagens e as histórias das Mulheres do seu país. Um retrato incrível do caminho que percorremos e do quanto o temos, apesar de tudo, que louvar e preservar. Mas, um retrato também do caminho ainda por percorrer para cumprirmos a igualdade de género e a equidade social, valores aos quais Maria Lamas dedicou (e pelos quais “arriscou”) a sua Vida;
  2. Que, sendo-vos possível, o façam, como eu tenho a sorte de poder ter feito, com uma das Mulheres fantásticas que o nosso país tem.

Façam-no para continuarmos, todas e todos, o legado das muitas Maria Lamas que tanto deram para que possamos, hoje, ter mais possibilidade de ter “uma vida melhor”.

Ps. A imagem que acompanha esta mensagem é uma fantástica pintura de Maria Lamas feita por Júlio Pomar em 1953 e que pode ser vista na exposição.

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