Hoje passa um ano e um dia da publicação um artigo que escrevi de título “Um desejo para 2022? Construirmos mais paz”. Escrevi-o porque o sentia importante, necessário, considerando as ameaças potenciais à Paz a que assistíamos e que intuía. Estava, porém, longe de perspectivar a amplitude do que 58 dias depois viria a suceder e de ver imagens de tanques russos nas ruas de Kyiv nos momentos que se seguiram ao trágico 24.02.22. Hoje, um ano depois, passa um dia de que foi publicado um outro artigo, de “desejo” e próximo na “arquitectura”.
“Um desejo para 2023? Promovermos mais bem-estar para todas e todos”, 48º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte dos “sinais de desaceleramento, por vezes até de retrocesso”, no caminho de melhoria da possibilidade de bem-estar em Portugal. “A promoção do bem-estar parece, hoje, nos discursos e nas políticas, apenas pensada como impacto potencial de um eventual crescimento económico ou da alteração de factores externos ao país. Portanto, não é priorizada e não considerada enquanto elemento fundamental de prosperidade, sustentabilidade e desenvolvimento harmonioso das pessoas e do país.”
No artigo reflicto sobre como o que nos torna “destino turístico de excelência, nos aproxima de sermos mais capazes enquanto país de promover a possibilidade de bem-estar” e, a partir de dois índices internacionais, o que parece fazermos bem, menos bem e que podemos significativamente melhorar para tal, sublinhando cinco factores de investimento essenciais que se interligam:
- considerar a promoção do bem-estar no desenho de todas as políticas públicas;
- melhorar a efectividade das políticas e combater as diversas formas de pobreza e exclusão, ainda demasiado prevalentes em Portugal, fazendo com que os apoios sociais se dirijam mais substancialmente às camadas mais vulneráveis da população;
- em períodos de crise e dificuldade, proteger e apoiar a população mais vulnerável;
- maior envolvimento e participação da sociedade civil, contribuindo para uma melhor governação e para a qualidade das instituições e reforçando os níveis de conexão e suporte social da população;
- criação de condições para, em contingência e com equidade e eficiência, se apoiarem as pessoas em situação de dificuldade e desafio, não apenas na área social, mas também a nível psicológico, aquando de níveis elevados de distress, sofrimento psicológico e/ou de problemas de saúde mental.
Caminhar para uma “sociedade livre, justa e solidária”, conforme prevê a Constituição Portuguesa, “depende da capacidade de enquanto pessoas, sociedade e país contribuirmos mais para a promoção da possibilidade de bem-estar”.
Que o priorizemos e promovamos, mais, em 2023.
Obrigado a quem neste 2022 aqui me acompanhou. Bom 2023 e que nos possamos continuar a encontrar, aqui e noutros lugares.