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Imprevisibilidade?

Há dias, Boris Johnson manifestando o seu apoio a Trump e referindo não acreditar que este, se eleito, retire o apoio à Ucrânia, defendeu que passariam assim a existir “todas as opções para que o Ocidente seja mais forte [com Trump] e para que o Mundo seja mais estável”. Disse, também, que é necessário “um líder Americano que esteja disposto a usar a força e que seja imprevisível para actuar como um dissuasor para os inimigos do Ocidente.” A usar da força e que seja imprevisível…

Imprevisível, portanto.

Num momento de profunda incerteza e de alta volatilidade pretendem, forças e personalidades políticas populistas, que abandonemos quadros de referência, estabilidade e direitos por uma nova “Lei”, baseada na força, na intimidação verticalizada do ou dos mais fortes e na imprevisibilidade. Imprevisibilidade que vai de mudanças drásticas em acordos ou políticas por decisão individual ou pouco transparente a discutir ou debater não cumprindo regras mínimas de civilidade e democracia, da confusão de factos com opiniões, da não aceitação da ciência à promoção do ódio e da desconfiança em pessoas, grupos e/ou instituições, prometendo, pelo caminho, tudo e o seu contrário. Trump, menos polido, sabe-o. Usa-o. Outros, alguns mais polidos, outros nem tanto, cá e noutros países, também.

Imprevisível, portanto.

Também por isso, talvez, 15 dos 27 países da UE têm, hoje, partidos da direita radical, populista ou mesmo da extrema-direita com 20 ou mais por cento de intenções de voto. E como isso impacta e nos impacta, hoje e para o futuro, a nós e a quem nos seguirá. Como impacta a coesão social e esse objectivo maior desta minha profissão, a procura, com os seus contributos, promover a possibilidade de autodeterminação de todas as pessoas, num quadro de direitos (humanos). Como, parte destes partidos, alguns com responsabilidades governativas, são hoje desfavoráveis aos principais fundamentos da ideia de UE, alguns mesmo, como a AfD (essa referência para personalidades do partido da direita populista português e cujas posições estimularam a manifestação da fotografia da “AP Photo”), onde a líder abertamente aborda a possibilidade de saída da Alemanha da UE, apresentando o “Brexit” como “um modelo para a Alemanha” para ser “possível tomar uma decisão soberana”.

A previsibilidade, o controlo e a segurança (psicológica) são fundamentais à saúde mental e bem-estar. São, também, fundamentais a uma sociedade delas promotora, para todas as pessoas. Já a imprevisibilidade… Pensemos a Polónia, por exemplo, a partir deste texto do Timothy G. Ash (O Mundo deve aprender com a tragédia da Polónia: Restaurar a democracia é ainda mais difícil de que criá-la).

Timothy G. Ash que um dia disse que “precisamos de um idealismo realista e de um realismo idealista”, ambos dependentes do contributo, do empenho e do compromisso de todas e todos. Porque, se precisamos… Se precisamos.

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