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Quanto tempo têm(os)?

“Vá directamente até ao estúdio de trabalho de Sigmund Freud e veja o famoso divã do psicanalista”. Esta é a sugestão de visita do Museu Freud (Londres) caso tenhamos apenas meia hora. Foco no mais óbvio, mediático, eventualmente impactante, porém sem aprofundar o contexto (sugestão do museu para 1h de visita), o seu redor (para 90m), sem sentir, verdadeiramente, o espaço (para mais de 2h).

Assim comecei lembrando o porquê deste ser, hoje, um Museu (Museu), e do caminho de afirmação, autonomização e contributo amplo da psicologia enquanto ciência e prática para múltiplas áreas e processos, a partir da abordagem biopsicossocial. Indo, necessariamente, muito além das importantes dimensões clínicas e remediativas, sendo particularmente relevante na prevenção e promoção, do individual ao societal, passando, naturalmente, pelas organizações, seu desenvolvimento, sustentabilidade e bem-estar das pessoas que as constituem.

Assim comecei, dizia, a minha intervenção na “Mental Health in the Workplace Summit 2023”. Resultante do Pacto pela Saúde Mental nos Locais de Trabalho, subscrito por dezenas de organizações e promovid pelo CRBL da Católica Lisbon School of Business and Economics, que decorreu na semana passada numa lindíssima sala na sede da EDP (obrigado Frederico Fezas-Vital pelo convite, palavras, por sentires que tinha/tenho um contributo válido).

Chamei-lhe “SP500 – Segurança Psicológica e o seu papel nas organizações” porque prossegui reflectindo sobre como a nossa ilusão da profundidade explicativa (tendermos a pensar saber mais sobre o funcionamento de algumas coisas do que realmente sabemos) se revela, significativamente, no entendimento que temos (ou não) das pessoas, dos seus comportamentos e da psicologia de forma geral. De como isso impacta, por vezes, o priorizar (ou não) da evidência científica nestas áreas e de como, a conjugação disso com termos “apenas meia hora”, resulta em eventuais “vieses” de actuação, por exemplo, na promoção da saúde e bem-estar em contexto organizacional.

Como pode, apesar do momento rápido, imprevisível, “angustiante” do Mundo, desfocar-nos de um elemento essencial base a qualquer acção nestas matérias – a segurança psicológica das pessoas. Fundamental à boa comunicação (importantíssima em contextos de e com diversidade), à coesão (fulcral à flexibilidade), ao envolvimento e propósito, à relação e ao auto e heterocuidado, à responsabilização individual/colectiva, à resolução de problemas, à confiança. Desfocar-nos de como a segurança psicológica é base e suporte de tudo e de todos.

Organizações falarem sobre este tema é importante. Comprometerem-se é ainda mais importante. Serem, cada dia (mais) consequentes, mais ainda. Para tal é importante que reflictam(os) quanto tempo (30m ou mais de 2h?) têm(os) para a saúde e bem-estar.

Quanto tempo para “mudar o possível na direccão do excelente”, conforme Gonçalo M. Tavares sabiamente escreveu há dias.

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