“Temos de atuar em conjunto, como uma família, para salvar a nossa única Terra e salvaguardar o nosso único futuro”. Disse-o António Guterres, na recente cimeira do G20, sublinhando “que estes países são responsáveis por 80% das emissões poluentes” e advogando por mais liderança “na luta contra as alterações climáticas e manutenção dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável”, definidos pelas United Nations na Agenda 2030.
Apesar desta posição, a cimeira terminou sem “consensos” a propósito da #criseclimática. Sobre isto conversei com a Luisa Schmidt (cujo histórico contributo para a maior literacia e compreensão destes temas muito saúdo), com moderação da Andreia Palmeirim e do Pedro Filipe Silva na 2ªF na CNN Portugal, conversa que partilho. Nela são-me pedidos dois contributos específicos.
O primeiro sobre #ecoansiedade. Fenómeno que enquadro numa preocupação crescente, particularmente da população jovem, em torno da possibilidade do colapso ambiental e do medo (crónico, por vezes) associado. Preocupação que resulta da conjugação da significativa valorização dos problemas associados à crise climática com a falta de recursos para mudar/lidar com a situação percepcionada, a que acresce a imprevisibilidade e insegurança associadas. Destaco, na intervenção, que da ecoansiedade pode resultar #distresse, ou seja, níveis de ansiedade/stresse bloqueadores e paralisantes, que podem conduzir a sentimentos de desesperança, à perda de bem-estar, a dificuldades de inclusão ou, até, a sintomatologia depressiva. Mas, também e por vezes, a níveis de #stresse activadores e mobilizadores para a acção e participação pública e social, resposta mais positiva e adaptativa à situação.
O segundo sobre como num quadro de cada vez maior incerteza relativamente ao clima e aos fenómenos climatéricos extremos nos podemos adaptar. Aqui (aproveitando para sublinhar que os contributos da ciência e da prática psicológica neste desafio vão além do seu importante papel na reparação, apoio e suporte emocional às populações após uma situação de catástrofe) sublinhei o papel da #psicologia na prevenção, mitigação e adaptação, apoiando e informando processos de desenho de políticas públicas, estímulo à alteração de comportamentos e preparação de planos individuais e comunitários para a vivência de situações climatéricas extremas, promovendo a #resiliência individual e colectiva e reforçando o sentido de agência e de controlo, tão importantes nestas situações e, por si, preventivos da ecoansiedade.
Portugal está e estará profundamente exposto a estes fenómenos. Dos incêndios rurais à subida do nível do mar, passando pelo stresse hídrico. Também por isso, conjugar planos multilaterais de médio e longo prazo com o que no presente cada pessoa pode fazer e o que o país pode determinar, é essencial. Acções próximas, concretas e avaliáveis. Disse-o e advogo-o porque “temos de atuar em conjunto, como uma família, para salvar a nossa única Terra e salvaguardar o nosso único futuro”.