Estamos a viver o Junho mais quente no Mundo desde que existem registos meteorológicos e o primeiro Junho em que ultrapassamos o importante 1,5º Celsius acima da temperatura média esperada.
Dados atrás de dados a confirmar as alterações climáticas decorrentes da crise climática que vivemos. Fenómenos atrás de fenómenos, novos ou “antigos” mais intensos e/ou frequentes, a confirmar o seu impacto na vida de comunidades e na saúde e bem-estar das pessoas.
O “bom tempo” – conforme o “narramos”, considerando que permite pelo aumento de temperatura, a quem dele gosta e pode usufruir, uma extensão do período típico de “Verão” para outros momentos do ano – tem múltiplas e perigosas consequências no presente e no futuro. Deixo dois grupos de exemplos, de duas entidades com trabalho e especial envolvimento nesta área:
a) O IPCC no seu sexto relatório de avaliação, publicado em Março deste ano, destaca os efeitos do aumento da temperatura e dos fenómenos de calor extremo no aumento da mortalidade e morbilidade (vejam-se os dados em Portugal), na maior propagação de doenças transmissíveis, na deslocação e migração força de comunidades e, entre um conjunto significativa de outros elementos, no aumento de problemas de saúde mental, incluindo questões de stresse e trauma face a eventos particularmente significativos;
b) O World Economic Forum publicou recentemente um trabalho sobre consequências menos óbvias que as anteriores, mas relevantes das alterações climáticas, que incluem o aumento até ao triplo dos incidentes aéreos relacionados com forte e inesperada turbulência; a perda significativa do peso médio de animais como as cabras e redução da diversidade de sexos de animais como os lagartos ou as tartarugas, com consequências no ecossistema; o aumento das erupções vulcânicas; mais tempestades e relâmpagos e a diminuição brusca de um grão que muito aprecio, o café.
Mais ou menos óbvias, as consequências são impactantes já no presente e sê-lo-ão, muito, no futuro. Este é um desafio, portanto, que a todas e todos convoca e convocará… Desafio enorme, e cujo envolvimento, nas diversas formas, pode, por si, ser promotor de bem-estar e de dimensões psicológicas como a confiança e a auto-estima.
Desafio enorme, mas possível e possível num quadro de melhoria do bem-estar global.