“Como psicólogas/os, somos formadas/os para disseminar ciência através de revistas com revisão por pares e congressos de base académica.”
Esta afirmação consta de um trabalho que trata a forma como é fundamental – particularmente quando vivemos um período de desafio significativo nas questões da saúde mental – que as psicólogas e os psicólogos possam estimular, com o seu conhecimento, conversas informadas sobre saúde mental “em gelatarias, cabeleireiros, barbeiros e salões de beleza, restaurantes e outros lugares do nosso dia-a-dia”.
É uma afirmação de Ariana Hoet, directora executiva da “The Kids Mental Health Foundation”, uma fundação que se propõe contribuir para um Mundo em que a “saúde mental é parte vital do crescimento”, desenvolvendo nas pessoas adultas “competências para ajudarem as crianças a lidarem com os desafios da sua vida”.
Apesar do artigo tratar uma realidade distinta, creio existirem paralelos para outros países, incluindo Portugal, nas questões sobre como a formação prepara insuficientemente as e os profissionais para comunicar com diferentes públicos, disseminar a ciência e promover literacia e o viés existente para a comunicação mais académica / entre pares, bem como nos desafios que se colocam à saúde mental, particularmente de grupos específicos da população (crianças e jovens, pessoas em situação de exclusão e pobreza, …).
Também por isso tenho procurado contribuir para que se reflicta sobre um mais vasto contributo das psicólogas e psicólogos na disponibilização (e impacto) mais amplo da ciência psicológica, aproximando-a mais dos contextos de vida das pessoas, também a partir da influência conjunta com outras ciências, do trabalho com outros profissionais e com pessoas referência às vidas de outras pessoas. E faço-o a partir de quatro elementos que penso centrais da importância desse movimento:
a) Chegar a mais pessoas e a pessoas que dificilmente de outra forma procuram / conseguem aceder a serviços de psicologia;
b) Gerar mais capacidade de detecção precoce de problemas e, logo, maior possibilidade de intervenções mais próximas, custo-eficazes e que reduzam sofrimento;
c) Contribuir para a prevenção a partir de uma maior sensibilidade aos temas da saúde mental e da transformação societal em questões que concorrem para os desafios que hoje enfrentamos;
d) Fomentar conhecimento, literacia e ferramentas que permitam maior auto e heterocuidado nas comunidades.
Faço-o por aqui. Faço-o por aí. Fi-lo, por exemplo, em participações recentes em eventos próximos de comunidades e diferentes profissionais: em Albufeira, reflectindo sobre “Equidade e justiça social na Saúde Mental” (com a Carla Fernandes com moderação da Cláudia Cristina Dias Guedelha); em Aveiro, sobre ciclos de pobreza e o papel da parentalidade e sucesso educativo (com a Maria João Marques, a Carla Sousa, a Andreia Carvalho e a Sandra Araújo com moderação da Catarina Isabel Reis Neves).
Um pequeno contributo meu, nosso. De um tanto que há a fazer…