“Como muitos de nós cresci a ouvir um conjunto de ditados populares que, invariavelmente, tendiam para uma aproximação a complacência e/ou justificação de situações diversas e múltiplas de violência. “Entre marido e não se mete a colher” é disso um exemplo paradigmático. Quero, porém, e numa perspectiva de reversibilidade, usar neste texto de um outro ditado popular – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” – para destacar como, ao contrário, é fundamental adoptar-se uma postura individual e colectiva de não aceitação, justificação e de não complacência com as diversas práticas agressivas e formas de violência.”
“Um ditado popular a propósito das práticas agressivas e violência em contexto escolar”, 91º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) procura enquadrar o porquê de, hoje, isso ser particularmente relevante para, depois, “pensar o aumento reportado dos fenómenos violentos em contexto escolar (por exemplo da Escola Segura)” a partir de quatro dimensões:
- A violência em contexto escolar não é um problema apenas do presente (embora, enquanto seres humanos, tendamos o colocar o foco no presente e nas questões mais negativas), sendo as formas de violência historicamente presentes no contexto das Escolas. Apesar deste cenário é fundamental que sublinhemos, a cada momento, o valor da não inevitabilidade das mesmas;
- É fulcral alterarmos a forma como a sociedade olha e pensa a Escola e valoriza, além da promoção do conhecimento, aprendizagem e resultados escolares (naturalmente muito importantes), os seus contributos para preparar crianças e jovens para a sua autorregulação comportamental e emocional, para a resolução de problemas e de conflitos, para a abertura ao outro e para a empatia;
- Tendendo à prevenção das práticas agressivas, a importância da Escola contribuir para a promoção da possibilidade de ocupação com segurança e com propósito de tempos livres;
- É fundamental que grupos de trabalho e outras estruturas considerem e tenham capacidade operativa para imprimir uma dinâmica de consequência sobre as medidas propostas, prevenindo riscos de descrédito, descrença e de utilização destes mecanismos como justificativos de eventuais inações.
Termino advogando e apelando a “uma postura individual e colectiva de não aceitação e de não complacência para com qualquer fenómeno de violência e, logo, para com as práticas agressivas e a violência em contexto escolar. Uma acção individual e colectiva ampla de promoção da paz e de prevenção da violência, em todas as suas formas.”
“Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje, com evidente benefício para alunas e alunos, profissionais, comunidade educativa e sociedade. Hoje. Para o futuro.”