Lembram-se da “TINA”, o acrónimo em inglês para o “NHA” português [There Is No Alternative | Não Há Alternativa]?
Estamos num desses momentos. Confrontados com incêndios que nos fazem sentir impotentes e descrentes em que possamos fazer algo para prevenir, no futuro, estas situações e os seus impactos. Confrontados com fenómenos sociais que, conjugados no tempo, nos fazem desafiar a percepção de segurança que o nosso país continua a oferecer, por comparação à grande maioria (quase totalidade) de países, Mundo fora.
Estamos num desses momentos porque, sozinhos, sentimo-nos distantes, desempoderados e descrentes de poder fazer algo que, significativamente, contribua para minimizar estas situações e mitigar os seus efeitos.
Mas… Assim não é. Pensemos nas pessoas, hoje e nos últimos dias, envolvidas no combate aos incêndios e apoio às populações. Em como as comunidades se unem para, juntas, resistirem. Em como profissionais e voluntárias/os dão o que têm e o que não têm pelas outras pessoas e pelos lugares.
Neles inspirado, pensemos em como, mesmo à distância, podemos contribuir e advogar para uma mobilização social que reconheça local e globalmente a crise climática e como podemos contribuir, individual, colectiva e globalmente para a sua mitigação. Como podemos advogar por alterações no ordenamento do território e na organização da sociedade, para maior prevenção destas situações. Também para uma preparação das comunidades para protocolos de actuação em situações como os desastres naturais ou acontecimentos inesperados, aumentando a sua percepção de controlo, a resiliência individual e colectiva e a sua segurança e previsibilidade. Como podemos, mesmo à distância, dar pequenos grande contributos como são exemplo dar sangue, conversar e ligarmo-nos a pessoas próximas, comunicar estes fenómenos com as crianças e jovens diminuindo o seu impacto. Como nos podemos aproximar e suportar as pessoas que mais sofrem com estes fenómenos e construirmos comunidades. Como podemos contribuir para fazer cair o “N” da TINA e do NHA e promover agência nas pessoas e comunidades.
Eu, singelamente, procuro fazê-lo. Junto das pessoas mais próximas. Também em pequenos contributos como os que partilho, sobre a importância de comunicarmos fenómenos como o da EB da Azambuja com crianças e jovens (obrigado Nuno Vinha) ou sobre a hiper-exposição e o papel da comunicação e do suporte da comunidade (obrigado, Carla Jorge de Carvalho). Acredito na possibilidade de mudança e isso é, para mim, um factor protector.
A mudança é possível. De outra forma, aquando destas situações, não falaríamos ainda do impacto na saúde mental e bem-estar. A mudança é possível. Podemos empoderar pessoas e comunidades para lidar com estes fenómenos. Podemos promover recursos individuais e comunitários, mesmo tudo fazendo para que estes fenómenos não se repitam.