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13 de Julho…

Conforme este nosso planeta não pára de rodar em torno do seu próprio eixo e de girar à volta do Sol, o que se passa nele não pára de nos surpreender. De nos desafiar.

À dias lia como estudos mais aprofundados sobre um fóssil, apelidado de “Tina” e descoberto em 1989 na província de Valência, vêm demonstrado como uma criança Neandertal, cujo tempo de vida se estima situado entre os 273 e os 146 mil anos antes de Cristo, viveu no mínimo até aos 6 anos com Síndrome de Down. Ou seja, como recuando centenas de milhares de anos encontramos antepassados nossos que desenvolveram sentido de pertença, de comunidade, de altruísmo perante outras e outros, o manifestaram e como foram também esses sentidos e atributos que nos trouxeram aos seres humanos de hoje, aos dias de hoje.

Penso-o à luz de dois recentes e extraordinários 13 de Julho nos EUA que, à sua forma, serão também lembrados por dezenas ou centenas de anos (embora, talvez, não centenas de milhares de anos):

a) O de 2013 quando Alicia Garza, junto com companheiros, “cunhou” a hastag “#BlackLivesMatter”, a propósito da morte de um jovem e do processo de julgamento da pessoa por ela responsável. Concorde-se mais ou menos com a forma como todo o movimento que se seguiu foi e tem sido gerido (por vezes utilizado), é um momento (e movimento, depois) simbólico da afirmação do valor de todas as vidas, de todas as pessoas, e de um bem maior que trata o respeito da pessoa humana, qualquer que seja a sua história, origem ou conjunto de características;

b) O de 2024 quando numa acção de campanha, o ex-presidente dos EUA Donald Trump, a dias de ser formalmente indicado em convenção pelo Partido Republicano como novamente candidato às presidenciais de 2024, foi alvo de uma tentativa de assassinato que foi, por apoiantes e por adversárias/os, amplamente condenada como uma tentativa absolutamente inaceitável e intolerável de atentar contra uma vida humana e contra a ideia de democracia.

Numa mensagem de agradecimento ao apoio que justamente tem recebido, Donald Trump escreveu ontem na sua rede social que não deixará e deixarão “que o mal vença”. Por uma vez, estamos de acordo. Não deixar “que o mal vença”.

Não deixar que o mal vença os valores de pertença, comunidade e altruísmo que nos trouxeram aos dias de hoje. Não deixar que o mal vença a ideia de que cada ser humano é um ser com direitos, independentemente da sua história, origem ou conjunto de características. Não deixar que o mal vença um sistema de opinião e participação livre, de adversárias/os e não inimigas/os, de democracia.

Espero que possamos também concordar que, para tal, todos temos que fazer a nossa parte, mais ou menos singela, para criar condições e contribuir para objectivos, para um chão e para uma ideia de bem-comum e de possibilidade de compromisso entre pessoas que, naturalmente, podendo (e devendo) discordar, são parte de uma mesma sociedade.

Como à centenas de milhares de anos, hoje, olhando e contribuindo para o amanhã.

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