Numa recente entrevista ao jornal @PUBLICO, a @Maria João Valente Rosa – uma das demógrafas mais reconhecidas num Portugal onde a demografia é hoje um desafio – dizia que uma das formas que temos para melhor prevenir o isolamento e a solidão é prepararmo-nos para ter uma vida longa procurando, entre outras coisas, fazer e manter amizades com diferentes gerações. “Promover relações intergeracionais”, dizia, para combater um sério problema de saúde pública no presente e para o futuro. Não podia estar mais de acordo. Para combater a solidão e para promover a coesão social.
Este caminho, de construção de uma sociedade de relações mais intergeracionais, que contrarie uma tendência de fechamento em “bolhas” de gostos, ideais, clubes, rotinas, idades e até, por vezes, de géneros, que tendencialmente as novas tecnologias e determinados usos das redes sociais têm exacerbado, faz-se de reconhecimento das outras pessoas, de amizades e de pontes e pontos de encontro. E é aqui que determinados interesses (um hobbie, uma actividade cultural, uma participação cidadã) podem ser decisivos. É aqui que algumas constantes e costumes do nosso país podem, verdadeiramente, fazer a diferença. Permitam-me um exemplo, a que convido.
A @RTP transmitiu recentemente uma série, ainda (?) apenas com 5 episódios, intitulada “Vinhos com História”. Versa a história de determinados vinhos, típicos de determinadas zonas de Portugal e, à volta deles, de relações que se estabelecem entre pessoas e entre pessoas e territórios. Continuidades. E pontos e pontes de encontro, por vezes extraordinários, porque resultam da prática de “fazer o vinho”, de o fazer naquelas condições e com determinadas práticas que passam e se aprimoram de geração em geração e, depois, de o celebrar e dele ser motivo para juntar pessoas, por vezes muito diversas, incluindo nas suas idades.
Mais, representa um país, apesar de tudo com uma profunda identidade construída também na diversidade das suas regiões, práticas e das suas pessoas. Diferenciado. Com história. Se aceitarem o meu convite e se escolherem apenas um dos episódios, convido ao dos “Vinhos do Pico”. Simbólico enquanto retrato de um país bonito, intenso, exigente, sempre por descobrir. Um país de futuro, mesmo quando o futuro parece difícil. Um país que ousa e tenta melhorar dia-a-dia, falhando muitas vezes para acertar outras. Um país que não vira a cara às dificuldades e desafios e com um potencial enorme de possibilidade de bem-estar para as suas pessoas.
Oxalá o consumamos com a moderação com que devemos consumir os seus magníficos vinhos. Oxalá o aproveitemos com o deleite que os seus vinhos nos provocam e provocam a todas as pessoas que decidem sentir o nosso país também a partir deles.