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Oh Lord, please don’t let me be misunderstood

“Oh Lord, please don’t let me be misunderstood”. Vivemos dias, mais uns, de enorme imprevisibilidade. Incredibilidade, até. Mundo fora e em Portugal. Dias onde a complexidade e múltiplas nuances – não se coadunando com simplificações, julgamentos e preconceitos sempre presentes – estimulam incompreensões, mal-entendidos, polarizações.

Por estes dias lia Bob Dylan, um dos prémios Nobel da literatura mais incompreendidos. No seu “A filosofia da canção moderna” (que recomendo) escreve sobre um conjunto de canções que inspira(ra)m o seu percurso. Entre elas, uma, interpretada por uma cantora (Nina Simone) também bastante incompreendida. Falo da “Don´t let me be misunderstood”, canção que Bob Dylan apresenta como “de mal-entendidos e ideias falsas”, sublinhando que “o problema de ser mal interpretado é que diminui o prazer da vida”. E a possibilidade de (co-)construção, acrescento eu.

Também há dias, embora há já mais alguns, participei num trabalho da @Rádio Renascença, onde procurei disponibilizar um conjunto de informações e reflexões que, espero, contribuam para prevenir “mal-entendidos e ideias falsas” sobre o ano profissional júnior (estágio profissional) da @Ordem dos Psicólogos Portugueses, particularmente reforçando o seu enquadramento enquanto um “primeiro ano de prática profissional supervisionada”, acompanhada e enquadrada num plano de formativo e de desenvolvimento profissional.

Na peça, focando também a necessidade de crescimento rápido para resposta às necessidades da população do número de profissionais no SNS, destaco que apesar do número crescente de psicólogas/os em Portugal (27.000, resultado de uma profissão ainda recente e com elevado crescimento anual), “nos últimos anos, houve uma melhoria do acesso dos profissionais a atividades na área da psicologia”. Para tal junta-se ao “impulso forte da OPP no advogar pela melhoria de acesso a serviços de psicologia nas mais diversas áreas e contextos, a procura cada vez maior por parte dos cidadãos” fazendo com que “tanto os serviços públicos como alguns privados estejam cheios e com listas de espera”, logo “subdimensionados face à procura”.

Isso reflecte-se, e refiro-o na peça, na diminuição da taxa de desemprego e aumento da procura de serviços reportada e no aumento significativo de novos anos profissionais júnior (2021 e 2022 foram dois dos anos com mais novas/os psicólogas/os júnior e 2023 será também um ano excepcional).

Há, no entanto, e como em qualquer assunto com complexidade, desafios pela frente, associados, desde logo, às alterações legislativas em curso. Também há, porém, oportunidades significativas, nomeadamente pela ainda elevada “capacidade de absorção de novos profissionais”, pelo aumento das possibilidades de estágio profissional em serviços públicos e, ainda, pelas novas áreas profissionais em forte expansão e “reforço de profissionais a trabalharem temáticas emergentes”, com significativo “benefício para a sociedade e para as pessoas”.

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