Hoje queria propor-vos um quiz: Qual é o país que viu recentemente mais que duplicar, em apenas 12 meses, o número de crianças a viver em situação de pobreza?
Como creio possível que não tenha acertado à primeira deixo três pistas: trata-se do país que “liderou” a expedição à Lua que permitiu que um primeiro astronauta, com essa nacionalidade, a pisasse; país onde a OpenAI, organização que desenvolve e disponibiliza o ChatGPT, tem sede; país com o maior produto interno bruto (PIB) do Mundo.
Sim, trata-se dos EUA e esta duplicação não decorreu da pandemia em si, antes da “retirada” e do “fim” recente de um conjunto de apoios/programas que, em grande medida, decorreram da resposta à pandemia.
Esta realidade reforça algo que, quem habitualmente aqui me lê, sabe que venho defendendo. Que a diminuição da pobreza depende, claro está, do PIB (e do crescimento económico) mas quando triangulado com a redução das desigualdades e com o investimento em programas, com base em evidência científica, que combatam a pobreza e, particularmente, contribuam para a quebra de ciclos geracionais de pobreza.
No final da semana passada, no IV Encontro dos Psicólogos do Sul, discuti numa interessante (a meu ver) conversa com o Miguel Herdade exactamente estes dois aspectos. Sob o mote da pobreza e exclusão, e partindo do que tem sido o trabalho desenvolvido e dos objectivos da estratégia “.Final à Pobreza” (https://finalapobreza.pt) da Ordem dos Psicólogos Portugueses, conversamos sobre a realidade das desigualdades no contexto da educação (nomeadamente as decorrentes do nível socioeconómico das famílias e do nível de escolaridade, particularmente da mãe) e como a sua redução concorreria para a mitigação das situações de pobreza e exclusão.
Conversamos, ainda, sobre o papel das professoras e professores no sucesso educativo, sobre a importância da educação dos 0-3 e do investimento precoce no desenvolvimento infantil ou sobre as consequências, nos primeiros 1000 dias dos bebés e daí para o futuro, do stresse e outras condições decorrentes da pobreza e da exclusão. Conversamos sobre a evidência disponível e sobre como poderia e poderá informar políticas (públicas) e apoiar mudanças e transformações, possíveis e plausíveis, em favor da redução da pobreza e da promoção da qualidade de vida e da possibilidade de bem-estar.
Espero que quem a ela assistiu, presencialmente ou à distância, tenha gostado… Como eu gostei. Agradeço ao Miguel o que nos trouxe e traz, sempre. E agradeço, o convite, a confiança e toda a dedicação, à Delegação Regional do Sul da OPP e à organização do evento nas pessoas da Raquel Raimundo, Carla Fernandes, Ana Meira, Raquel Granjo, Gabriel Soares, David Guedes, Sara Bahia e de todo o staff da OPP envolvido.
Que conversemos mais e mais sobre estes temas. E que estes temas sejam tema, neste e noutros Encontros. Tema
na sociedade…