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Uns óculos para pensarmos as profissões no futuro e a solidão e isolamento

“Nós, enquanto seres humanos, somos no geral pouco eficazes a prever o futuro.” Ainda assim, acompanho o CEO da Apple quando, na recente apresentação do “Vision Pro”, referiu que, como os computadores pessoais e, mais tarde, os computadores portáteis, os computadores espaciais, conforme o definiu, representarão uma “nova era”.

“Uns óculos para pensarmos as profissões no futuro e a solidão e isolamento”, 60º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) reflecte sobre como um dispositivo que “permite aceder ao “Mundo digital” sem ecrãs físicos e interagir com o computador sem dispositivos “extra-humanos” como teclados, ratos ou superfícies”, imergindo totalmente o “Mundo digital” no real a partir apenas de uns óculos”, pode ser disruptivo, transformar-se e revolucionar a forma como se “projecta em Engenharia ou Arquitectura”, como se assistirá a espectáculos ou eventos desportivos e como se prestam serviços de Educação e Saúde.”

“Se as reuniões, a formação e o treino e intervenção à distância, aprofundadas na pandemia, melhoraram consideravelmente o quadro antes existente, particularmente para quem vive/trabalha em locais mais remotos, tudo tenderá a evoluir rapidamente para novas e potentes ferramentas que permitirão, através de experiências imersivas em tempo real cada vez mais simples e satisfatórias, o encontro de pessoas no “Mundo digital” a partir do seu “Mundo real”.

Assistiremos, potencialmente, a mudanças na forma de “formarmos (inicial e continuamente) profissionais de saúde, de treinarmos tarefas específicas, de realizarmos processos de articulação e intervisão interpares e de melhoria significativa da prestação de serviços (incluindo especializados), particularmente em contextos de difícil acesso e mais remotos. Na psicologia, juntar-se-á à evolução da utilização da realidade virtual e aumentada em intervenções psicológicas e psicoterapêuticas em diversas áreas (hoje já bastante testada e utilizada nas fobias), na complementaridade de intervenções (por exemplo, possibilitando experiências imersivas que potenciem a empatia), na realização de avaliação psicológica ou na assistência por parte de tradutores/interpretes em processos de intervenção.”

“Poderá, também, ter um positivo impacto nos serviços públicos e, até, em fenómenos particularmente relevantes em Portugal como a solidão/isolamento, a perda de população e serviços no interior ou a emigração. Mas pode, também e noutro prisma, se não utilizados responsavelmente, representar um conjunto de riscos também na questão da solidão/isolamento, na estigmatização/marginalização, na desinformação, na cibercriminalidade e, no limite, nos fenómenos de Guerra e conflito entre países.”

Deve, portanto, “para o bem da Humanidade, atender às evidências da ciência psicológica” e concorrer para “mais, mais próxima, personalizada e eficaz psicologia ao serviço das pessoas, do planeta, da prosperidade e da equidade.”

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