
Esta segunda-feira cumpriu-se mais um dia Martin Luhter King Jr. Comemorado na 2ªF que corresponde ou se segue ao dia 15 de Janeiro (dia do seu nascimento), assinala o legado da histórica figura dos EUA e do Mundo. A “América é uma nação mais democrática, justa e pacifica” por sua causa; MLK foi o nosso mais importante “comandante não-violento”, diria R. Reagan quando assinou uma Lei, no ano em que eu nasceria, formalizando o dia como feriado nacional.
Martin Luther King e o seu legado estimula ao envolvimento e mobilização não violenta pela eliminação de todas as formas de discriminação e combate à desigualdade, fenómenos sociais com profundo impacto na possibilidade de bem-estar de pessoas, comunidades e sociedades.
Pese embora o caminho que foi percorrido nesse sentido, maioritariamente em alguns países e não sem revés possível, olhemos dois exemplos, significativamente distintos, do caminho ainda por percorrer:
- Também ontem a Oxfam publicou, a propósito do inicio da cimeira de Davos, o relatório “Survival of the Richest – How we must tax the super-rich now to fight inequality [Sobrevivência dos mais ricos – Como temos que taxar hoje os super-ricos para combater as iniquidades]”. Relatório que assinala o facto de, pela primeira vez em 25 anos, a pobreza extrema no Mundo ter aumentando. Isto, no mesmo momento em dois terços da riqueza mundial gerada desde 2020 ficou com apenas 1% da população mundial, a mesma percentagem de pessoas que na última década “arrecadou” metade de toda a riqueza mundial.
- Nas últimas duas semanas a Bárbara Reis escreveu sobre o “gender pain gap [viés da dor]”, uma de um conjunto de barreiras que se colocam ao acesso a cuidados de saúde de qualidade pelas Mulheres. Basicamente, existe hoje evidência que confirma que as Mulheres estão mais expostas a situações onde a sua dor e/ou preocupações com a sua saúde são desconsideradas, com consequências diversas como incorretos diagnósticos, terapêuticas ou tratamentos. Escreveu sobre isso. Escreveu sobre a negação que algumas pessoas fazem disso. A mim estimulou-me a reflectir como esta conjugação reforça e duplamente penaliza quem mais sofre com o viés – as Mulheres.
“Não perdi a esperança. Devo confessar que estes dias têm sido difíceis para mim, pessoalmente. E que estes dias têm sido difíceis para cada líder dos direitos civis, da justiça e da paz.” Assim terminou o discurso de MLK aquando da Convenção da American Psychological Association de 1967, após um Verão de incidentes graves nos EUA. Advogou por Direitos Humanos, igualdade, justiça social, Paz e pelo contributo da ciência (psicológica) para tal. Discurso quando, em Portugal, Américo Tomás era presidente e a psicologia pouco podia contribuir.
Mas… não perdi, não perdemos, a esperança. Nem a esperança, nem a inquietude de quem luta pelos valores e pelo legado de MLK.