Categories
Uncategorized

Sinceramente não sei…

“Sinceramente não sei. Se soubesse actuava sobre as causas”.

Resposta da Ministra da Saúde a José Alberto Carvalho quando este lhe perguntou a razão para a não adesão significativa à aplicação Stayaway Covid. Resposta num dia em que o conselho de ministros aprovara uma proposta de lei que obriga à utilização dessa aplicação “no contexto laboral, académico, nas forças armadas e de segurança e na Administração Pública em geral.”

Infelizmente é um excelente exemplo de como não se utiliza o conhecimento da psicologia nas políticas / programas, senão vejamos:

1) conforme ontem discutíamos no Debate à 5ªF sobre a Psicologia como a ciência essencial no desenho de políticas públicas, como pode a implementação de uma aplicação como esta não ter considerado, além de testagem prévia, estudos sobre os factores emocionais, cognitivos, comportamentais ou contextuais envolvidos na tomada de decisão de adesão/não adesão?

2) como em Maio escrevi com o Miguel Ricou no artigo PanLegitimidade “debater se a pandemia que enfrentamos pode justificar ou não a utilização destas medidas de rastreamento é frágil”… Precisamos de pensar as questões éticas associadas e de tomada de decisão das pessoas porque, quando estas aplicações/medidas forem parte do quotidiano, “será cada vez mais difícil discordar da sua aplicação” a cada vez mais situações em “função da perigosidade percebida”.

 

Categories
Uncategorized

Já estamos (mesmo) a prestar atenção?

“Defeito de personalidade!”

Em 1978 Thatcher atribuiu a persistência de pobreza no UK à personalidade dos pobres. Em 2020 problemas de saúde psicológica em parte resultantes do contexto social são por vezes tratados como problema “pessoal/individual”. 2 ex. de 2 livros que recentemente li em torno dos desafios que creio mais prementes no futuro – a equidade/pobreza; as condições de vida, bem-estar, acesso e participação na sociedade e sistema.

O “Já estão a prestar atenção” escuta pessoas expondo a “raiva” latente como resposta ao estímulo (preocupação) constante. Estímulo de uma sociedade vista com pouco futuro e propósito e que no UK desde 2009 vê os jovens mais pobres que a geração anterior e a duplicação da riqueza dos mais ricos. Personalidade?

O “Tirania da escassez” reflecte como a escassez (pobreza) impacta a nossa “largura de banda” diminuindo a capacidade cognitiva e controlo executivo, afectando necesariamente a capacidade para tomar decisões. Personalidade?

É fulcral priorizar uma acção integrada de combate às inequidades com contributos da ciência psicológica. Sem ela não ultrapassaremos os enormes desafios com que nos confrontamos e não protegeremos o nosso sistema democrático e a liberdade. Não promoveremos o bem-estar de todos.

Já estamos (mesmo) a prestar atenção?

Categories
Uncategorized

as férias são férias são férias são férias.

As férias são férias são férias são férias.

30.7.2020, véspera (curiosamente) de uma 6ªF 31.7, habitualmente último dia pré-férias de muitos Portugueses. Socorro-me da portentosa frase de G.Stein (“Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa”) para afirmar que a) ainda que no quadro de alguma incerteza em que vivemos; b) ainda que com muitas famílias a passarem e/ou a preverem dificuldades sócio-económicas; c) ainda que,pelas razões anteriores, impossibilitados de cumprir as férias que previram para este período e sem possibilidade de “sair”; é urgente quebrar rotinas, desligar, reduzir o nível activação / stresse, descansar, desfrutar. São urgentes férias, férias. Talvez, mais que nunca neste momento atípico que vivemos e mais que nunca para quem cuida de crianças e para elas próprias.

Isto mesmo discuti no webinar “Acabaram as aulas. E agora?” organizado pelo Espaço Pais & Alunos da Porto Editora com a Joana Appleton Figueira e Pedro Strecht com a moderação do Paulo Farinha.

Momento rico que sublinhou a importância das relações e da sua qualidade no desenvolvimento precoce de competências sócio-emocionais e cognitivas, preditivas da qualidade das relações futuras.

Com um “desfrutem” das férias, aqui deixo…

Categories
Uncategorized

Desconfinamento – O medo também é contagioso (Revista Expresso; 23.05.2020)

Nas próximas horas conhecer-se-á a capa da revista do Expresso de amanhã. A da semana que agora termina – além de uma citação sobre si de Carlos Costa que termina com um “É a vida” – tem esta chamada de capa: “Desconfinamento – O medo também é contagioso”.

Chamada a partir de uma expressão que utilizei no trabalho da jornalista Helena Bento onde se abordam casos concretos de pessoas que têm receio de voltar “à rua ou ao centro de saúde”. Ontem, no Debate à 5ª da Ordem dos Psicólogos Portugueses que semanalmente conduzo (ver publicação anterior), referi-me a uma sondagem ICS / ISCTE que indicava que há duas semanas 83% dos portugueses tinha receio de ir a uma unidade de saúde bem como a dados da OMS que apontam para uma elevada sintomatologia depressiva (50%) e ansiosa (45%) em profissionais de saúde na China, algo que também abordei na reportagem.

Nela reflecti sobre os potenciais “comportamentos de evitamento” dos cidadãos resultantes do impacto psicológico do confinamento e da pandemia, particularmente nas pessoas mais vulneráveis ou mais expostas (por exemplo, pessoas que perderam alguém próximo ou profissionais de saúde ou das ERPI).

Na reportagem tocamos ainda no estigma associado à doença mas também na capacidade de adaptação das pessoas a algum nível de incerteza.

Aqui

Categories
Uncategorized

Debate à 5a – Saúde Psicológica: A outra urgência de saúde pública

A 18.02.20 a DGS emitia 3 comunicados: criança internada como caso suspeito; resultado negativo da criança; ponto de situação COVID-19 no Mundo e Europa (casos confirmados: Alemanha-16;Itália-3;Espanha-2). Amanhã, 100 dias e tantas mudanças depois decorrerá o 4º Debate à 5ª. ´Live´ da Ordem dos Psicólogos Portugueses por mim promovido e moderado que, também vivendo dos comentários de quem os segue, procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote, simples, de promover mais perspectivas.

Esta edição, intitulada “Saúde Psicológica: A outra urgência de saúde pública”, conta com Miguel Arriaga (psicólogo; chefe da divisão de literacia, saúde e bem-estar da DGS) e Rute Brites (psicóloga; docente da Univ. Autónoma).

Um debate em torno do papel da psicologia hoje e no futuro no quadro da saúde pública e da saúde psicológica dos cidadãos como outra “urgência” de saúde pública.

Debate que, permitam-me, vai dedicado ao Bruno Brito que tanto lutou, também pela afirmação do papel da psicologia nos principais desafios societais e que recordo, com os olhos a agigantarem-se ao ritmo da sua convicção, a defender no Parlamento Europeu a psicologia como a “primeira linha de apoio nos processos de ajustamento das pessoas”.

28.05.20; 22h, aqui

Categories
Uncategorized

Coaching psicológico – ferramenta de intervenção da psicologia ao serviço dos cidadãos e das organizações

Um olhar sobre o ombro esquerdo. Imediatamente abaixo de um turbante, uma face límpida, jovem, misteriosa. Um olhar que nos encontra. Imagem da rapariga do brinco de pérola, retrato de Vermeer, do século XVII, parte do nosso imaginário.

Há dias lia que uma equipa se tem dedicado a investigar pormenores do quadro e, percebeu, além da combinação de pigmentos oriundos do México mas também do Afeganistão, que a rapariga chegou a ter pestanas e, mais relevante, que a pérola não existe de facto e é apenas uma ilusão (“toques opacos e translúcidos de tinta branca”).

Também há dias moderei mais um webinar da Ordem dos Psicólogos Portugueses onde, com o Jaime Ferreira da Silva e a Susana Firmino, reflectimos sobre o coaching psicológico enquanto ferramenta de intervenção da psicologia ao serviço dos cidadãos e das organizações.

Ferramenta com muitas décadas de investigação e crescente evidência científica, que assume papel de relevo num momento de incerteza e de necessidade de adaptação a novas realidades. Ferramenta por vezes e por alguns, sem preparação e formação, vendida como se de uma ilusão se tratasse.

Olhemos sobre o ombro esquerdo para quem assim faz e assim vê o coaching. Como a rapariga, com ou sem brinco de pérola.

Aqui.

Categories
Uncategorized

Debate à 5a – A incerteza da adolescência em tempos de incerteza

Amanhã – 48h após a divulgação dos dados sobre os comportamento de saúde em idade escolar (HBSC), que envolve mais de 227 mil adolescentes de Portugal e outros 44 países – decorrerá o 3º Debate à 5ª . ´Live´ da Ordem dos Psicólogos Portugueses, por mim promovido e moderado que, também vivendo dos comentários de quem os segue, procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote, simples, de promover mais perspectivas.

Esta edição, intitulada “A incerteza da adolescência em tempos de incerteza”, contará com a presença de Tânia Gaspar (psicóloga e uma das investigadoras responsáveis em Portugal pelo HBSC) e Anabela Carvalho (psicóloga coordenadora do Observatório do bem-estar dos alunos de Viseu).

Um debate que pensará as e os adolescentes em Portugal… Mais sedentários, que gostam menos da Escola e que mais comunicam online… Mas dos que sentem a Escola como mais segura, percepcionam mais suporte e, ainda que melhorando desde 2014, apresentam níveis de bem estar que nos devem inquietar. Convocar.

A todas/os, psicólogas/os, investigadoras/es, cidadãos. Pensaremos, ainda, o papel da ciência e da intervenção psicológica nos adolescentes e os desafios (mas também oportunidades) que a crise com a COVID-19 traz. 21.05.2020; 22h, aqui

Categories
Uncategorized

Fim-de-semana e Fase II do “desconfinamento”

Este fim-de-semana, 75 dias depois dos primeiros casos de COVID-19 no país, leva-nos à fase II de ‘desconfinamento’ e às simbólicas aberturas de Creches/Esc.Secundárias e Restaurantes.

“Se era muito difícil imaginar esta situação e o seu impacto e consequências, daqui a alguns meses não vamos conseguir imaginar o mundo sem esta pandemia e sem as alterações que ocorreram entretanto.” Excerto de uma entrevista minha à Helena Bento para o Expresso publicada no final de Abril.

Algo, creio, por todos sentido e em parte explicado pelo ‘hindsight bias’, enviesamento que justifica que consideremos como mais previsíveis acontecimentos que já ocorreram face ao que realmente eram antes de ocorrerem: hoje é difícil imaginar o mundo sem smartphones quando antes era difícil imaginá-los.

Também por ele, “governo e autoridades têm um papel na manutenção ou não dos diferentes comportamentos adotados durante a quarentena”, competindo-lhes transmitir segurança e a avaliação da “perceção do risco por parte das pessoas e tomar medidas”, considerando o equilíbrio do binómio exigências/recursos que cada pessoa faz.

Aqui… 

Categories
Uncategorized

Debate à 5a – Seis semanas de Linha de Aconselhamento Psicológico SNS24

Amanhã, dia em que um/a Psicólogo/a da Linha de Aconselhamento Psicológico SNS24 (LAP) atenderá a chamada 10000 desde a sua criação a 1 de Abril, decorrerá o 2º #debateà5a.

´Live´ da Ordem dos Psicólogos Portugueses, por mim promovido e moderado que, também vivendo dos comentários de quem os segue, procura aprofundar temas que cruzam (desafios da) sociedade e contributos da ciência psicológica com o mote, simples, de promover mais perspectivas.

Esta edição, intitulada “Seis semanas de Linha de Aconselhamento Psicológico SNS24”, contará com a presença de 3 psicólogas/os vértices de um triângulo que fez e faz a LAP que, pelo alcance e, porque não, simbolismo, creio marcante do posicionamento e contributo da OPP para o desafio que vivemos com a COVID-19: Teresa Espassandim que coordena e representará a equipa de Psicólogas/os que desenvolveram o algoritmo, a arquitectura e a formação inicial da LAP; Manuel Firmo que representará a equipa de 63 Psicólogas/os que assegura 24h por dia/7 dias por semana o seu funcionamento; Catarina Vaz Velho que representará o grupo de 6 Psicólogas/os que assegura a supervisão desta equipa.

Um debate que viajará da criação ao futuro da LAP, pensando o seu papel, os seus desafios e as pessoas que dia-a-dia a procuram…e a fazem.

14.05.2020; 22h, aqui

Categories
Uncategorized

há mar e mar…

“Há mar e mar, há ir e voltar.”

Frase, tratado, do poeta Alexandre O’Neill para lema de uma campanha da década de 80 de prevenção de afogamentos do Instituto de Socorros a Náufragos.

Lema elevado a provérbio e a parte da Língua Portuguesa. Lema hoje partilhado, reconhecido, colectivizado. Passado tornado presente que faz futuro.

Assim é com o que fomos, tornado presente que faz futuro.

É assim que regresso ali, agora nesta minha condição e com esta singela contribuição, gravada no início de Abril e que aqui partilho.

Obrigado.