“Sinceramente não sei. Se soubesse actuava sobre as causas”.
Resposta da Ministra da Saúde a José Alberto Carvalho quando este lhe perguntou a razão para a não adesão significativa à aplicação Stayaway Covid. Resposta num dia em que o conselho de ministros aprovara uma proposta de lei que obriga à utilização dessa aplicação “no contexto laboral, académico, nas forças armadas e de segurança e na Administração Pública em geral.”
Infelizmente é um excelente exemplo de como não se utiliza o conhecimento da psicologia nas políticas / programas, senão vejamos:
1) conforme ontem discutíamos no Debate à 5ªF sobre a Psicologia como a ciência essencial no desenho de políticas públicas, como pode a implementação de uma aplicação como esta não ter considerado, além de testagem prévia, estudos sobre os factores emocionais, cognitivos, comportamentais ou contextuais envolvidos na tomada de decisão de adesão/não adesão?
2) como em Maio escrevi com o Miguel Ricou no artigo PanLegitimidade “debater se a pandemia que enfrentamos pode justificar ou não a utilização destas medidas de rastreamento é frágil”… Precisamos de pensar as questões éticas associadas e de tomada de decisão das pessoas porque, quando estas aplicações/medidas forem parte do quotidiano, “será cada vez mais difícil discordar da sua aplicação” a cada vez mais situações em “função da perigosidade percebida”.