Um olhar sobre o ombro esquerdo. Imediatamente abaixo de um turbante, uma face límpida, jovem, misteriosa. Um olhar que nos encontra. Imagem da rapariga do brinco de pérola, retrato de Vermeer, do século XVII, parte do nosso imaginário.

Há dias lia que uma equipa se tem dedicado a investigar pormenores do quadro e, percebeu, além da combinação de pigmentos oriundos do México mas também do Afeganistão, que a rapariga chegou a ter pestanas e, mais relevante, que a pérola não existe de facto e é apenas uma ilusão (“toques opacos e translúcidos de tinta branca”).
Também há dias moderei mais um webinar da Ordem dos Psicólogos Portugueses onde, com o Jaime Ferreira da Silva e a Susana Firmino, reflectimos sobre o coaching psicológico enquanto ferramenta de intervenção da psicologia ao serviço dos cidadãos e das organizações.

Ferramenta com muitas décadas de investigação e crescente evidência científica, que assume papel de relevo num momento de incerteza e de necessidade de adaptação a novas realidades. Ferramenta por vezes e por alguns, sem preparação e formação, vendida como se de uma ilusão se tratasse.
Olhemos sobre o ombro esquerdo para quem assim faz e assim vê o coaching. Como a rapariga, com ou sem brinco de pérola.
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