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Pobreza Energética

Hoje, como ontem, diversas regiões de Portugal enfrentam um conjunto de fenómenos meteorológicos que trazem riscos à população. Resultam da depressão Hermínia (nome significativo para mim) que, conforme outros fenómenos climatéricos, atinge de forma desproporcional pessoas e famílias com habitações mais vulneráveis, parte significativa vivendo em situação de “pobreza energética”.

Este conceito corresponde à falta de acesso a serviços energéticos essenciais a níveis básicos de qualidade de vida e saúde (dito de outro modo, a (in)capacidade de manter imune a humidades significativas, aquecida durante o inverno e/ou arrefecida durante o verão) e, em Portugal, segundo um relatório recente da Comissão Europeia, são 20,8% os agregados a viver em pobreza energética e somos, com Espanha, os países pior cotados numa UÉ onde, em 2020, existiam 50 milhões de pessoas com esta condição.

Foi sobre a pobreza energética o 2º episódio da nova temporada do podcast “Toda a Energia” da ADENE – Agência para a Energia, produzido e divulgado pela Antena 1. Uma interessante conversa em que participei, com o Rui Alves de Sousa e a Susana Peralta que aqui partilho: https://www.rtp.pt/play/p14446/e822414/toda-a-energia

Saudando a escolha do tema abordamos na conversa temas como a relação da pobreza económica/monetária com a pobreza energética/privação, as suas causas e consequências, a literacia da população ou as políticas públicas e a sua eficácia neste âmbito.

Entre outros, a Susana Peralta, sublinhou que o tema não trata, apenas, a manutenção da casa adequadamente aquecida, mas toca importantes dimensões da intimidade das pessoas como a capacidade das pessoas/famílias terem as suas refeições quentes ou cuidarem da sua higiene, com os profundos e devidos impactos nas suas relações laborais e/ou sociais.

Eu destaco os anos de vida com qualidade perdidos por via da pobreza energética e, como sermos um dos piores países da UE nesta matéria, é um exemplo concreto de como as políticas públicas (e até a filantropia, com honrosas excepções) ainda não são responsivas à evidência científica que demonstra o seu forte impacto na saúde, incluindo na saúde mental, no bem-estar e nos ciclos de pobreza e exclusão.

Como digo, é um debate importante (…) para que se desfaça a ideia de que a pobreza energética impacta apenas a doença física, por via das doenças respiratórias por exemplo, mas se pense a sua associação com questões como a ansiedade, depressão, stresse ou problemas com o sono e de como, desproporcionadamente, afecta as pessoas que paradoxalmente mais precisariam de encontrar nas suas habitações espaço de conforto, segurança e previsibilidade.

Falemos mais sobre pobreza energética. Façamos mais. E melhoremos mais – mais rápido – promovendo a qualidade de vida das pessoas, prevenindo consumos energéticos desnecessários e prevenindo gastos em saúde pública e sociais.

Ps. Passam hoje 80 anos do dia de libertação de Auschwitz. Nunca o esqueçamos… Nunca o esqueçamos.

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