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Quantos sou?

“Quantos sou?”, interpela-nos aquele cantinho, daquela casa – hoje Museu – outrora habitada e vivida por Fernando Pessoa, escritor e poeta português que mais sentido deu a esta pergunta. Ali resta certamente um poema de Álvaro de Campos, um dos seus eus, que assim começa: “Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo”.

Por estes dias foi comunicado que sou, desde o início do ano, CEO da (nova) Fundação Mendes Gonçalves. Uma honra e um privilégio tremendos. Uma responsabilidade imensa. Mas… “Tal qual resultei de tudo”.

Um tudo que começa na pessoa ímpar do Carlos Goncalves. Desenvolveu com tantas e tantos, como sempre diz, e a partir de uma ideia e vontade sua e do seu Pai, aquilo que é hoje a Casa Mendes Gonçalves, dos seus princípios e valores aos produtos que produz e à forma como os produz, sempre com as pessoas, a comunidade e ao redor como foco.

Tudo o que (se) construiu foi, também, porque, ousou pensar o presente a partir do futuro ao contrário de muitas e muitos que pensam o futuro a partir do presente. Isto não compreendi logo, naquele dia em que o conheci, talvez nem nas vezes seguintes, mas compreendo-o agora. Não é só por isso, mas é, creio, também muito por isso que, com uma generosidade incrível, criou e é o fundador da Fundação Mendes Gonçalvesque nasce com o propósito maior de assegurar o legado permanente da Casa Mendes Gonçalves ligado ao impacto positivo na sua comunidade e da sua comunidade para o Mundo, pela doação da sua parte à Fundação. Algo incomum e de uma generosidade incrível, dizia. Acrescida da de, com a Conceição Zagalo, me confiarem este papel e esta enorme responsabilidade.

A Conceição Zagalo é outra das pessoas incríveis que este nosso país e Mundo têm. Uma humanidade sem limites, uma forma de ser próxima, relacional, de nos e tudo suportar. Uma energia e inquietude boas a que junta um traço incomum por estes dias: um optimismo e uma vontade de viver a vida contagiantes. Uma Mulher incrível, dizia, que se juntou ao Carlos na ideia e no cerzir de todos os pensamentos para a consolidação da obra maior de uma Fundação e para ser a Presidente do seu Conselho Executivo. A Conceição que em mim confiou e que lá estava quando conheci o Carlos Goncalves. Juntos.

Mas há mais. Foste tu Liliana Valpaços, que sentiste, certamente primeiro, que a Conceição Zagalo e eu nos gostaríamos de conhecer (estavas certíssima) e que, eventualmente, haveria mais em comum que apenas aquela proximidade boa entre os seus Riachos e as minhas Lapas. Foste tu, e por isso muito te agradeço (bem sabes), que estimulaste a tal serendipidade e que lá estavas quando conheci a Conceição Zagalo e que lá estavas quando conhecemos o Carlos Goncalves. Juntos.

E agora? Juntos, só porque juntos, e juntos com quem mais se juntou, vamos fazer o que ainda não foi feito, da Golegã para o Mundo.

Obrigado. Como vos agradeço.

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