“Um dos pressupostos da nossa União Europeia é que o bem-estar de cada um de nós depende do bem-estar de todos os outros.” Estávamos em Janeiro de 2020 quando Elisa Ferreira e Frans Timmermans o escreveram. Escreviam, ainda, no artigo “Mecanismo para uma Transição Justa: não deixar ninguém para trás” (em torno da transição climática) que “a nossa solidariedade é um interesse próprio com fundamento racional” e que “nestes tempos de turbulência, é evidente que nenhum Estado pode por si só enfrentar com êxito os grandes desafios”.
Esta interdependência de países e de pessoas face a diversas dimensões e, especificamente, no que à possibilidade de bem-estar diz respeito, é fundamental e foi base de uma recente participação minha no “Quarto do Fundo”, parceira da Renascença com a Ordem dos Psicólogos Portugueses. A temática – “Mais bem-estar para todas e para todos” – derivou, como a Carla Rocha (a quem agradeço a forma como conduz o programa) assinalou no início da conversa, deste texto que escrevi e publiquei alguns dias antes – https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_terminou-um-2022-particularmente-exigente-activity-7017415316045541376-mIbz?utm_source=share&utm_medium=member_desktop
A conversa, que partilho, partiu do artigo e do desafio de, num momento particularmente exigente (com a pandemia, a Guerra na Europa e os desafios sócio-económicos e societais que enfrentamos), podermos pensar em como promover mais possibilidade de bem-estar para cada e para todas as pessoas. Como podemos fazer disso objectivo de todos, potenciando o que de excelentes condições para tal também temos no país (desde logo, algumas das condições que o tornam um destino turístico de excelência e questões como a segurança e, ainda assim, a confiança em pessoas e instituições).
Ainda, como podemos apoiar ou suportar as pessoas com maiores vulnerabilidades, no sentido da promoção do seu bem-estar e da consideração que uma sociedade de maior equidade (também a este nível) resulta uma melhor sociedade para todas e todos. Como podem, também as autarquias, em proximidade e de forma mais personalizada, criar mais condições e possibilidades de bem-estar para as suas populações.
Também o que podemos melhorar em dimensões como os rendimentos, o combate à pobreza e exclusão, a habitação ou no acesso (e equidade de acesso) à saúde e à educação. O que podemos melhorar, finalmente, no apoio contingente, próximo e eficaz em situações de sofrimento psicológico que o justifiquem.
Porque “um dos pressupostos” (…) “é que o bem-estar de cada um de nós depende do bem-estar de todos os outros.”
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