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3 Tina(s)

Três Tina(s). Base do artigo “O bem-estar psicológico como promotor da igualdade de género nas organizações” que escrevi para o livro “Igualdade de Género nas Organizações em Portugal” e base da minha intervenção na sua apresentação, na passada semana.

Tina 1: Tina Fey. Actriz vencedora de um Emmy. Fez a sua formação na “The Second City”, escola onde se procura, activamente, o desconforto, enquanto elemento essencial à improvisação, mudança e desenvolvimento pessoal. No fundo, como acontece com a igualdade de género, que, em contextos de segurança (psicológica), de confiança interpessoal e de transparência, quando intencionalizada, activamente promovida e legal e socialmente estimulada, é essencial, mesmo quando provoca potenciais desconfortos, à improvisação e capacidade de resolução de problemas, à adaptação e mudança e ao desenvolvimento e florescimento das pessoas, das organizações e da sociedade.

Tina 2: Tina Turner. “Eu não existia. Mas sobrevivi.” Relato da violência prolongada que sofreu na sua relação conjugal (e profissional) até à sua separação que resultou numa tremenda insegurança financeira, antes de superar estas condições, com os resultados que (re)conhecemos. A não exposição a situações de violência (explícita, mas também implícita) e a liberdade económica são, além de direitos, necessidades fundamentais ao bem-estar e factores fundamentais à equidade social e de poder de pessoas e grupos na sociedade. Para tal é essencial promover apoio psicológico e social, protecção social, regulamentação na área do trabalho, educação psicológica deliberada e literacia na área da igualdade de género e do bem-estar nas organizações, algo fulcral, também, na mudança de crenças erróneas que condicionam meninas, raparigas e Mulheres, particularmente as relativas à “genialidade de género” (percepção do maior talento de Homens face a Mulheres, mesmo perante actividades onde existe melhor desempenho de Mulheres).

Tina 3: There is no alternative. Expressão recentemente recuperada para o dicionário político e social. Não há alternativa a um caminho de maior equidade na sociedade e igualdade de género nas organizações. Não apenas porque de um Direito Humano se trata e porque é um dos ODS (5), impactando muitos outros. Também porque, essencial, à produtividade e sustentabilidade das organizações, mas não sem riscos que decorrem, por exemplo, da integração da Inteligência Artificial e dos seus vieses próprios, das crises que nos esperam num Mundo complexo e volátil e que impactam mais significativamente as meninas, raparigas e Mulheres ou dos 10 últimos anos de crescimento de governos autoritários no Mundo com consequente perda de Direitos.

Por tudo isto creio essencial que inscrevamos (conforme José Gil define) este tema na sociedade. O livro para isso contribui. Volto a agradecer às coordenadoras (Susana Almeida Lopes e Margarida Couto) o convite e a confiança, à Helena Pita Soares o acolhimento e à Paula Valente (Editora d’Ideias) a sua edição.

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