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Ragusa. Urban Future, 2022.

Junho. Aproxima-se o Verão e, em conversas ou pesquisas, é possível que nos cruzemos com Dubrovnik. Esta cidade croata é hoje um dos principais destinos turísticos do Adriático, conhecida pela sua costa e pelo seu centro histórico, património mundial da UNESCO. É, hoje, menos conhecida por ter sido uma vibrante cidade, particularmente a partir do século XIV, quando se tornou cidade-Estado da República da Ragusa.

Com autogoverno, era uma cidade liberal e humanista à época, fazendo da ideia da liberdade das pessoas e na economia, princípio de organização incomum naquele tempo. Foi dos primeiros Estados a abolir a escravatura, a acolher pessoas refugiadas, a não encerrar o governo da cidade a um conjunto fechado de representantes e foi mesmo a primeira a criar uma estrutura de saúde pública, incluindo nas suas medidas períodos de quarentena, algo que salvou muitas vidas e foi fundamental para prosperar mesmo no período da peste negra.

Liberdade. Liderança. Abertura, acolhimento e inclusão. Ciência. Saúde e bem-estar. Inovação. Pessoas… Mudança. Alguns dos factores-chave para uma Ragusa vibrante, líder e exemplo para tantas cidades (por ex., no seu modelo de saúde pública) são, grosso modo, os mesmos factores-chave que cerca de 700 translações depois do Planeta Terra ainda determinam a mudança.

Adiadas que foram as edições de Lisboa (2020) e Roterdão (2021), estou em Helsingborg na conferência Urban Future. (https://urban-future.org), integrada na H22 City Expo (https://www.h22cityexpo.com). Exposição que nos apresenta uma Helsingborg que procura a cada dia aprofundar o seu caminho e investimento no sentido da sustentabilidade, inclusão e inovação, como sublinha o seu presidente de câmara, Peter Danielsson. O seu caminho para uma cidade mais inteligente e amiga das pessoas. Caminho que implica mudança. Que implica as pessoas, a sua mobilização e o seu envolvimento. Que implica “City Changers by Heart”, mote da conferência.

Uma oportunidade para (me) inspirar, primeiro, para “expirar” depois. Para sentir e partilhar. Para (me) impactar. Para (me) expandir. Para enfrentar a mudança e as barreiras e obstáculos que a ela se colocam. Para reforçar que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, a mudança é premiada pelos e pelas eleitoras, não penalizada, particularmente quando ligada à sustentabilidade ambiental e mobilidade. Para contactar e conectar-me com a inovação, as boas práticas e exemplos que, contagiosos que são, podem e devem ser transladados (por isso a expressão atrás), com as devidas adaptações, para Portugal e para todo o Mundo. Para acreditar (ainda mais) e advogar (ainda mais) por cidades com mais qualidade de vida e possibilidade de bem-estar para todas e todos.

Foi a cidade (também Ragusa), enquanto lugar das pessoas e das comunidades, que ajudou a criar e influenciar o Mundo moderno, com tudo quanto de menos bom, mas também de bom, tem.

Mobilizemo-nos e envolvamo-nos na mudança da (nossa) cidade para mudarmos o (nosso) Mundo.

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