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Enough is enough.

“March for our lives”. Na sequência do massacre numa Escola de Parkland (Flórida), a 24 de Março de 2018, participei numa das maiores marchas de sempre advogando por alterações legislativas no acesso a armas de fogo nos EUA. Com cerca de 1 milhão de pessoas – e integrando uma iniciativa da American Psychological Association | “Gun Violence is a Public Health Crisis” – percorri a Pennsylvania Avenue (Washington) com um propósito e uma esperança forte de que nada poderia ficar igual depois de Parkland. “Never again”, gritava-se, sentia-se, mas…

Podia. Ontem, 24 de Maio de 2022 (4 anos e 2 meses depois), morreram pelo menos 19 crianças e 2 professoras num novo massacre numa Escola do Texas, que se sucede a outros, em diferentes contextos e com diferentes motivações. Massacre que nos confronta com as palavras de Rick Santorum, outrora Senador e concorrente à nomeação a candidato presidencial Republicano, quando, no dia da “March for our lives”, disse que as/os estudantes deveriam “aprender como lidar com um atirador em vez de pedir aos legisladores para resolver os seus problemas”. Nos confronta com as/os representantes da NRA que, também nesse dia, nos apelidaram de “manipuladoras/es” e que nos e me chamaram “radical” por participar na marcha. Radical…

A violência resultante do uso de armas (de fogo) é uma crise de saúde pública. Provoca perda, dor, sofrimento, luto. Impacta o sistema de relações da comunidade, é potencialmente traumática, a curto, mas também a médio e longo prazo, tem determinantes e existem acções que, também potencialmente, a podem prevenir ou mitigar. É hoje impossível, até pela coincidência de datas (exactamente 3 meses após o início da nova e brutal invasão pela Rússia da Ucrânia), não associarmos à perda, dor, sofrimento e luto resultantes da Guerra e aos eventos potencialmente traumáticos que dela resultam para diferentes pessoas que de diferentes formas a vivenciam.

Sobre isso e sobre “quem largou tudo para ajudar refugiados” (https://onovo.pt/internacional/o-impacto-em-quem-largou-tudo-para-ajudar-os-refugiados-IB10557834), conversei com a jornalista Sílvia Abreu do NOVO Semanário discutindo os impactos sociais e emocionais, potenciais consequências destes processos e qual o contributo possível da psicologia. Como fiz em entrevista ao Porto Canal (https://youtu.be/Onwh3MPmrDY) a propósito do acolhimento de pessoas em condição de refugiadas, da importância de atendermos às nossas próprias condições e à necessidade de nos adaptarmos aos ritmos/vivências e guardarmos espaço e tempo de cuidado, atenção e validação das pessoas numa situação de especial vulnerabilidade.

“Já chega!”, disse Kamala Harris, acrescentando: “Como nação temos de ter a coragem para agirmos e percebermos o nexo daquilo que é uma política pública razoável e sensata, para garantirmos que algo assim nunca mais volta a acontecer.” Que estas perdas, que este sofrimento, resultado da Guerra ou de um Massacre, não se repita.

Ideia “radical” dizem…

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