“…parece já não surpreender a vitória e a possibilidade de sermos governados por partidos da direita populista, radical ou extrema na Europa. Um inimaginável que, dia-a-dia, foi limitando a novidade (…) Fez com que nos habituássemos. Com que naturalizássemos.”
“Ai habituamo-nos, habituamo-nos ou o importante papel da mobilização e da inoculação”, 86º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado; link abaixo) reflecte sobre como naturalizamos situações (da não concretização da relocalização do Aeroporto da Portela/Humberto Delgado, à ascensão de discursos/partidos populistas na Europa). Reflecte, também, no quão significativos são “os impactos da perda de valores e do enfraquecimento das instituições democráticas na coesão social e na saúde e bem-estar” para apelar ao desenvolvimento de “estratégicas que mitiguem a habituação e mobilizem a população para a não naturalização destes processos”.
“Reforçarmos o pensamento crítico e a capacidade individual e colectiva de questionar e compreender o Mundo, também pela promoção da partilha e diálogo entre países e culturas e pela capacitação e literacia científica e mediática. Promover o diálogo entre diferentes sectores da sociedade e não o encerramento e polarização, validando posições diversas e discutindo temas e procurando construir pontes de encontro a partir dessa validação mútua. Garantindo que contribuímos para a preservação da confiança nas instituições e para o empoderamento das estruturas de vigilância e garantia do conjunto de valores da nossa democracia e constituição. Também, procurando garantir maior inclusão e diversidade na representação política e nas estruturas da sociedade civil no sentido da maior identificação e representatividade.”
“Tudo isto e utilizarmos a ciência e a melhor evidência disponível para garantir mais possibilidade de protecção e resiliência da população aos fenómenos que mais têm contribuído para que alguns inimagináveis se estejam a tornar realidade.” Por exemplo, conforme von der Leyen recentemente afirmou, “se pensarmos na manipulação da informação e na desinformação como um vírus, ao invés de tratarmos uma infecção depois de desenvolvida (“debunking”), é muito mais eficaz vacinarmo-nos para que o corpo fique imunizado”. Ou seja “é muito importante expormos, controladamente, a população ao fenómeno da desinformação, educando para a forma como é utilizada, preparada e difundida para que, a partir dessa literacia e conhecimento, as pessoas desenvolvam capacidade de pré-refutação (“prebunking”) dessa informação, ficando mais imunes e menos expostas aos seus impactos e à possibilidade de sermos cadeias de transmissão e reforço.”
“…não desistirmos da verdade e da informação factual e defendermos os valores da União Europeia e as Democracias na Europa implica que não permitamos que nos habituemos aos fenómenos que contribuem, muitas vezes por dentro dos sistemas democráticos, para que a coesão social e a integridade das instituições democráticas sejam enfraquecidas.”