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Comportamento Política

A França…

Começo a semana a pensar em Beethoven. Passam, agora, poucas semanas das comemorações em 7 de Maio último, dos 200 anos da primeira apresentação da sua 9ª Sinfonia, que inclui o Hino da Alegria, Hino da União Europeia.

Beethoven pensou e propôs a alegria com o (pelo, apesar do) sofrimento e, conhecendo-se a sua história de vida, facilmente o percebemos. Hoje é, apesar de tudo, um dia bom para o celebrar. Alegria, com sofrimento.

Há dias aqui convosco partilhei o último artigo que escrevi para a rubrica “Ao redor” da Sábado (https://www.linkedin.com/posts/tiagoandpereira_ai-habituamo-nos-habituamo-nos-ou-o-importante-activity-7214897043092172801-wf0v?utm_source=share&utm_medium=member_desktop). Nele escrevi:

“Fez com que nos habituássemos. Com que naturalizássemos. Fez, portanto, com que o efeito de sobressalto colectivo de grande parte da sociedade, sentido aquando da passagem de Jean Marie Le Pen à segunda volta das presidências de 2002 de França, tenda a não se repetir hoje a caminho de uma segunda volta das Legislativas de 2024, onde o partido herdeiro das suas ideias – o Rassemblement National – poderá garantir uma vitória.”

Ganhando, pelo quanto cresceu e continua a crescer, não venceu. E, não se repetindo o sobressalto colectivo de há 22 anos, outro, importante, existiu. E quão decisivo foi. É. Será. Por uma ideia e ideal de sociedade. De França. De Europa.

De diversidade, co-construção e humanismo, onde não existem níveis diversos de pessoas (os por cá, pelo partido irmão, chamados “portugueses de bem”, por oposição a outras/os portuguesas/es), com diferentes níveis de acesso, por exemplo a cargos públicos (a quem com dupla nacionalidade) ou à própria nacionalidade, conforme proposto por Bardella / Marine Le Pen.

De ciência, considerando o amplo receio de quebras no investimento e independência da ciência à escala nacional e europeia e da emergência e empoderamento de grupos e de um discurso anti-ciência e de decisão individual por oposição à saúde pública. Veja-se o que e porque propôs a Liga em Itália, partido de Salvini – outro partido próximo – relativamente a alterações às orientações de vacinação de crianças.

Ainda, de reconhecimento da crise climática e da necessidade de transição ecológica garantindo outro presente e futuro. Que permita considerar além do presente, num quadro de justiça intergeracional, o legado para as novas gerações ao nível da sociedade e coesão, da economia e social e do ambiente – qual seria o contributo de França para o Pacto Ecológico Europeu e que defesa faria do acordo de Paris? Simbolicamente, Paris.

“Não conheço nenhum outro sinal de superioridade a não ser a bondade”, disse Beethoven. É. Nunca o esqueçamos. Quase 9 milhões de votos agora (9 milhões e 400 mil na 1ª volta), partido mais votado numa e noutra. Não, não se trata de “inferioridade/superioridade” mas um certo sentir e um certo ressentimento. Valha-nos a vontade. Valha-nos a possibilidade de reconstruir comunidade. Valha-nos a bondade.

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