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Ética Aplicada – Psicologia

Estávamos em 1938 quando uma das primeiras e, certamente há época a mais relevante Associação de Psicologia do Mundo, criou uma Comissão Temporária de Ética Científica e Profissional. Falo da American Psychological Association que 14 anos mais tarde, em 4 de Setembro de 1952, aprovaria no seu Conselho de Representantes os “Princípios Éticos dos Psicólogos”, ainda hoje um importantíssimo documento histórico e de referência. Curiosamente, esta aprovação aconteceu num 4 de Setembro, dia da criação em 2008 da Ordem dos Psicólogos Portugueses (116 anos depois da APA), hoje Dia Nacional do Psicólogo em Portugal.

Apesar destes anos de diferença e do desenvolvimento tardio da psicologia em Portugal, particularmente quando comparado com outros países, as questões éticas e deontológicas foram sempre, são e, creio, serão centrais na afirmação e desenvolvimento da psicologia em Portugal e na relevância do contributo que pode conferir às pessoas e à sociedade. Também por isso, e pela visão e compromisso de muitas e muitos colegas, desde muito cedo que cartas de princípios e documentos diversos em torno da ética e da deontologia foram desenvolvidos em Portugal e estruturam o ensino e formação neste âmbito, até à publicação, já em 2011, da primeira versão do Código Deontológico pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, “um poderoso instrumento para o exercício da Psicologia”, conforme Telmo Mourinho Baptista, então Bastonário, escreveu nas suas primeiras linhas.

Daí para cá creio que todas e todos reconhecemos o caminho percorrido e o cada vez mais significativo e comprometido contributo da psicologia, enquanto ciência, e das psicólogas e psicólogos no nosso país. Esse contributo, decorre, também, da forte estruturação da profissão, do investimento em padrões éticos e deontológicos sólidos e em processos de desenvolvimento profissional contínuo, capazes de possibilitar respostas baseadas em valores e na melhor evidência científica disponível, para os diferentes desafios, dos mais simples aos mais complexos, dos antigos aos novos que com cada vez mais rapidez surgem.

Hoje trago mais um contributo neste percurso e, com ele, faço-vos um convite. Trago a obra “Ética Aplicada – Psicologia”, coordenada pela Maria do Céu Patrão Neves e pelo Miguel Ricou e editada pela Edições 70, que reúne um conjunto reflexões-capítulos, sobretudo de psicólogas/os, sobre os cruzamentos e alinhamentos entre a Ética e a Psicologia, um deles por mim escrito (“A psicologia nos processos de tomada de decisão: das razões e das emoções”).

O convite é que se juntem à sessão de apresentação que acontecerá amanhã na Livraria Almedina (Rato, Lisboa) e assistam à sessão em torno da “Psicologia e dos Direitos Humanos” com a participação da Ana Ribas, da Margarida Gaspar de Matos e moderação do Miguel Ricou. Apesar de ser a não perder, com muita pena minha, mas por um bom motivo, eu não me poderei juntar. Juntar-me-ei, porém, a uma próxima que brevemente será anunciada e que acontecerá no Porto.

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