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Habitação e Saúde Mental

“Estamos separados, mas vivemos na mesma casa por falta de alternativas.” É esta a afirmação destacada pela TVI/CNN Portugal no anúncio de uma reportagem sua que, a partir da experiência de 4 pessoas, procura reflectir sobre os múltiplos impactos que as dificuldades e iniquidades no acesso à habitação provocam a pessoas, famílias e à sociedade.

Disse-o Joana Ferreira que, com um filho menor, a viver em Lisboa, vê aproximar-se a data de revisão do valor do seu arrendamento (pensa poder duplicar). Resta-lhe, nas suas palavras, “continuar a busca intensa por casa”, “arranjar uma forma de ter mais rendimentos, um segundo trabalho que não implique o tempo de qualidade com o filho” e ponderar “voltar para o Alentejo” onde “também já não é fácil encontrar uma casa.”

Insegurança, medo, angústia, ansiedade. Dificuldade de constituir família, de ter filhos, na integração. Ausência de perspectivas e a emigração como solução são constantes da reportagem.

Sabemos que alguma previsibilidade e controlo são elementos essenciais ao bem-estar. Sabemos quão importante é, no processo de autonomização, a possibilidade de termos um espaço que é mais que uma casa-edifício. Espaço onde investimos afectivamente, com o qual desenvolvemos sentimento de pertença e segurança e que nos apoia na construção de redes de relacionamento e suporte social, essenciais à saúde mental. Isto procurei dizer na reportagem. Isto e quanto o corte com este vínculo e o processo de desenraizamento (particularmente em pessoas que viveram muitos anos no mesmo lugar), pode perigar estas dimensões e logo a saúde mental.

Na conversa com a Helena Lins reflecti, ainda, sobre o peso que a habitação tem em questões associadas ao stresse, ao potencial de desenvolvimento e/ou aprofundamento de doença mental, mas, também, em importantes desafios da sociedade portuguesa como a crise demográfica, o desenvolvimento económico ou as questões da solidão e isolamento.

“Tenho 28 anos, faço o que gosto, sou especialista na minha área [farmacêutica hospitalar] e não consigo sozinha sair de casa [dos pais]” | “Tenho 43 anos e voltei a viver em casa dos meus pais porque, neste momento, é impossível pagar uma renda [sozinho]” | “Estou à espera de um milagre”.

Problema hoje e em Portugal, transversal. Não apenas resumido (ainda que particularmente impactante) aos grupos populacionais mais vulneráveis ou às camadas mais jovens ou de menores rendimentos da população. Não o esqueçamos. E não esqueçamos que, apesar de não ser apenas em Portugal que têm crescido os custos com a habitação, em Portugal cresceram muito mais que a média europeia.

Um (outro) importantíssimo desafio do país, com consequências muito significativas na sociedade e na saúde e bem-estar das pessoas e famílias.

Reportagem aqui.

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