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O Hub Psicologia: Uma ciência e uma profissão ao serviço das pessoas e da resposta aos principais desafios societais

“Esse cientista de depois de amanhã terá um escrúpulo especial pela sua própria vida interior.” Excerto do Livro do Desassossego (Bernardo Soares), mote (final) da conversa de ontem, a propósito de como a complexidade, a incerteza e os desafios individuais e societais do tempo que vive(re)mos implicam maior interdisciplinariedade e beneficiam de uma psicologia porto de abrigo.

“O Hub Psicologia: Uma ciência e uma profissão ao serviço das pessoas e da resposta aos principais desafios societais” foi o título da conferência e mesa (com a Dora Pereira) do “II Congresso dos Psicólogos da Madeira | Resiliência e Superação – A Psicologia na construção da paz, do bem-estar e da coesão social”. Conferência que resulta (muito agradeço pela confiança e oportunidade) do convite do Renato Gomes Carvalho e da equipa da Delegação Regional da Madeira, que tem desenvolvido um especialmente meritório e impactante trabalho na sociedade da RA da Madeira, conforme foi reconhecido e valorizado pelos Presidente da Câmara do Funchal, do Governo Regional e da Assembleia Legislativa da Madeira.

A conferência partiu do que atrás referi, do artigo do J. Cacioppo (“Psychology as a hub science”) e de 3 constatações suas: desde 2005 a psicologia é considerada um dos 7 hubs de ciência; enquanto ciência e prática é muito mais que a visão que dela existia, muito baseada no Dr. Phil; embora não totalmente compreendida, tinha já muito a oferecer (e a aprender) a/com outras áreas científicas. Tocou ainda o crescimento exponencial da investigação em psicologia (700% de 1980 a 2014) e do número de psicólogas e psicólogos no Mundo (+19%) e em Portugal (+67%), previsto para a década 2014-2024.

Passou pelo símbolo de infinito, não pelo crescimento potencial futuro, antes pelo pensamento sobre a relação passado-presente-futuro e a perspectiva de diferentes momentos de intervenção da psicologia. De complementariedade entre a procura da mudança individual (muitas vezes com intervenções clínicas, remediativas e individuais) e da mudança societal (macro), particularmente sobre os determinantes da possibilidade de saúde, bem-estar e autodeterminação das pessoas e de equidade, justiça e coesão social.

Terminei com 6 pistas para um hub profissão: equipas multidisciplinares; consultoria a lideranças; trabalho com decisoras/es; capacitação e desenvolvimento das pessoas; psicólogas/os cidadã(o)s; assunção de papéis de liderança e tomada de decisão. Tudo num caminho de uma psicologia porto de abrigo, como recurso fundamental do país e espaço de apoio às pessoas nos seus desafios individuais e à sociedade nos desafios societais. Porto de abrigo que implica que cada psicóloga e psicólogo, cada dia e em cada contexto, reforce a identidade, o reconhecimento (de erros) e aprendizagem, a confiança, a valorização e desenvolvimento profissional e o auto e heterocuidado.

Assumamo-nos – com determinação, motivação e empenho, com responsabilidade e competência – porto de abrigo no presente e futuro.

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