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Tertúlias de Psicologia

Hoje é dia 24 de Fevereiro de 2025. Proponho que recuemos 18 anos, uma “maioridade”. Se a 24 de Fevereiro de 2007, quando faltavam 4 meses para a apresentação do primeiro Iphone, por aí escrevesse que 18 anos depois assinalaríamos o 3º aniversário da invasão em grande escala da Federação Russa aos territórios da Ucrânia, com um Trump num segundo mandato presidencial nos EUA, e que, no dia anterior, tinham acontecido eleições legislativas na Alemanha e que um partido de extrema direita com um discurso sinistro e assustador tinha duplicado votos, atingindo mais de 20%, sendo a segunda força política e tendo dividido o mapa da Alemanha (vejam a imagem e toda a “ressonância” e simbolismo que comporta), talvez não fosse levado muito a sério. Mas, mais importante, se o fizesse há 8 anos também não. Ou, talvez, há cinco, quatro, …

 

Daqui resultam duas reflexões. Uma, que cada vez menos temos (teremos?) possibilidade de prever com segurança o futuro a médio e longo prazo e que, talvez, também por isso e pelos exemplos recentes, valha a pena não desconsiderar (como tanto fazemos) cenários e possibilidades que nos inquietam relativas a regimes políticos, conflitos armados e retrocessos nos direitos civis e humanos, também na Europa. Outra, que é tempo de tornar prioridade a definição do que enquanto cidadãos e comunidade podemos contribuir para que tal não aconteça (e o compromisso com isso), com a certeza de que o momento que vivemos não permite limbos, porque a cada validação de um determinado discurso (uns “vez…”, “mas…”, “são todos iguais”) e/ou de uma determinada política, caminharemos um caminho de possibilidades inquietantes.

 

Trago-vos isto, também, no dia em que passam 4 anos de ter escrito o 1º de 98 artigos de uma rúbrica que chamei “Ao redor” (Revista SÁBADO). No último escrevi:

 

“

Aqui e ali, no Mundo, há em cada momento, em cada desafio, em cada crise ou realização, pessoas a interagir com o seu redor, sendo por ele impactadas e determinando-o. Pensemos neste espaço o que nos rodeia, singelo contributo para refletirmos como juntas/os podemos, a cada dia, ser mais resilientes e parte de uma sociedade mais coesa”. Chamei-lhe “Nós e os nossos Mundos” e publiquei-o em Fevereiro de 2021. Evoco-o hoje, simbolicamente. Determinemos este nosso “ao redor” para por ele sermos impactados. Determinemo-lo a partir dos princípios e valores dos Direitos Humanos para por esses princípios e valores sermos impactados. Não por outros. Para, com eles e através deles, sermos mais resilientes e parte de uma sociedade mais coesa.

”

 

É também por isto, por tudo isto, que Sábado me junto a uma pessoa que muito admiro e de quem tenho a sorte e o enorme privilégio de ser grande amigo (o Miguel Ricou) e a quem a nós se queira juntar para, como ele diz “conversarmos sobre algo que nos preocupa, de alguma forma, a todos: a desinformação, a polarização, a confiança e a democracia!”

 

Juntam-se a nós? Na conversa e no compromisso? Se não na conversa, no compromisso?

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