“…Vimos assistindo à diminuição da mortalidade e à diminuição da pressão sobre os sistemas de saúde (…) esta tendência permitiu que a maioria dos países voltassem à vida conforme a conhecíamos antes da COVID-19”. Este excerto, da comunicação com que Tedros Adhanom Ghebreyesus informou do termo da emergência global de saúde resultante da COVID-19, fala em “vida conforme a conhecíamos”, mas…
Conforme o passado pode repetir-se, poderá repetir-se num contexto diverso. Portanto, “a vida conforme a conhecíamos”, mas num contexto diverso. A vida conforme a conhecíamos, mas, neste caso, com maior desigualdade, desde logo nas crianças e jovens com menores recursos, mais impactadas com as perdas resultantes das alterações nos contextos educativos e familiares resultantes da pandemia. Ou no aumento de sofrimento psicológico e aprofundamento de problemas de saúde mental, particularmente na população mais jovem. Ou, ainda, o facto de hoje a saúde mental ser um tema de enorme relevância e premência na sociedade.
Exemplos que se conjugam numa pressão significativa para garantir suporte e promover recursos (internos e externos) e competências fundamentais ao desenvolvimento, adaptação e bem-estar de adolescentes e jovens… Nas Escolas e comunidades. No Ensino Superior. Exemplos que, nos últimos anos, receberam dois importantes e significativos estímulos, para um caminho de reforço das políticas públicas neste âmbito e do seu foco em dimensões que toquem, também e complementarmente a outros apoios, a prevenção e a promoção da saúde mental e bem-estar para todas as pessoas.
Falo das segundas edições de dois programas que vi e vimos nascer e que contam com o apoio da Ordem dos Psicólogos Portugueses, junto destas populações: Cuida-te +, promovido pelo IPDJ IP, com o empenho de uma equipa com referência na Natacha Torres da Silva, e dinamizado com a Aventura Social – Associação e através de uma equipa de psicólogas/os júnior distribuídos por todo o país: https://ipdj.gov.pt/o-programa; FLAD/OPP – Saúde Mental no Ensino Superior, promovido pela FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, com o empenho de uma equipa com referência na Liliana Valpaços: https://www.flad.pt/candidaturas-abertas-programa-flad-opp-saude-mental-no-ensino-superior-2023/
Também sobre estes desafios, no programa Corpo Clínico (Canal S+), discuti com a Ana Rita Sobral e a Lara Guedes de Pinho, sob moderação do Marco António, potenciais acções no programa que aqui partilho. Tudo, também porque, como aqui refiro, a situação ainda poderá piorar antes de melhorar, considerando que a saúde mental da população mais nova está pior hoje face há alguns anos.
É importante, é urgente, respondermos a este ciclo que penalizará, individual e colectivamente, o presente e o futuro do nosso país e das suas pessoas e famílias.