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Um pausa…

Um, dois… Um, dois, três, quatro, cinco minutos de jazz. Ontem acordamos com a notícia do desaparecimento de José Duarte, porventura o mais importante divulgador do jazz em Portugal. O seu “Cinco minutos de jazz”, que sempre assim começa, oferece uma pausa diária com uma música há já 57 anos, pausa que muito fez e faz pelo reconhecimento/gosto da música jazz.

Foi também uma pausa, neste caso para a saúde mental, que o Gabinete de Apoio ao Estudante/Espaço S da @Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa propôs. Dois dias para reflectir uma questão hoje fundamental no Ensino Superior, com forte impacto no bem-estar de toda a comunidade educativa e com consequências diversas no presente e futuro do país.

Na mesa em que participei, com a @Catarina Ruivo e a @Olga Cunha, moderada pelo @Diogo Telles Correia, realcei a importância de discutirmos este tema, neste contexto. Alertei para a importância de atendermos não apenas à urgência de apoiarmos quem, em sofrimento ou com um problema de saúde mental, necessita de suporte mas também pensarmos as causas do significativo aumento destas situações. Olharmos, como fiz no artigo “(Rosa dos) Ventos da saúde mental da população jovem” para:

  1. (N)otas e para o foco nos resultados e competitividade, com claro prejuízo do desenvolvimento de outras competências, incluindo as sócioemocionais, e do auto e heterocuidado;
  2. (O)utras e Outros e a necessidade da população jovem estar (sempre) “feliz”, porquanto as redes sociais, as relações e o reconhecimento no espaço virtual são importantes, acrescentando uma pressão significativa, potencialmente estigmatizante e penalizadora;
  3. (S)uporte e sua ausência, considerando que ao capital social associado à aspiração da população jovem a mais e mais contingentes respostas na saúde mental não correspondeu um significativo aumento do acesso e da equidade de acesso;
  4. (E)stabilidade também ausente, manifesta na falta de previsibilidade sobre o futuro e na ausência de segurança e controlo, pelo aumento do custo de vida/habitação e pela elevada precariedade.

Tudo a acrescentar pressão e factores de stresse a uma transição/adaptação existente, num momento de vida desafiante. Tudo com impacto desproporcional nas e nos com maiores vulnerabilidades. Tudo a contribuir para elevadas taxas de abandono no ensino superior (11% nas licenciaturas; 16% nos mestrados) e de mudança de curso/instituição (9%). Tudo grave, mas tudo menos grave do que o que se espera nos próximos anos, considerando o agravamento da condição dos e das agora adolescentes.

Obrigado à @Carla Vale Lucas e a toda a equipa que organizou o evento por o trazerem a debate, por me confiarem um papel e por procurarem mobilizar respostas para esta situação.

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