“Portanto… Enfim, é fazer a conta.” Permanece no imaginário colectivo o momento em que António Guterres, então primeiro-ministro, não conseguiu responder rapidamente a um pedido de um jornalista para quantificar quanto significava 6% do PIB português. 6% em 1995, treze (pessoas), quinhentos (milhares de euros), quatro ponto dois e três (milhões de euros), mais recentemente. “Discutimos muito, muitas vezes acaloradamente” números, números aos quais acrescento um que merecerá menor debate mas a que não “creio corresponder a uma importância menor: cinco ponto três. Cinco mil e trezentos milhões de euros.”
“De número em número até 5.3 mil milhões”, 51 º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado; link abaixo) destaca o “custo estimado em 2022 das perdas directas de produtividade das organizações portuguesas causadas pelo absentismo e presentismo (quando se trabalha abaixo das reais capacidades), resultantes de stresse e de problemas de saúde psicológica de trabalhadoras e trabalhadores. Número que seria consideravelmente superior se envolvesse organizações do sector público e do sector financeiros (sectores não considerados no estudo) e que corresponde a um aumento de 66% face às perdas estimadas de 3.2 mil milhões de euros em 2020.
Este impactante número é detalhado no relatório “Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações – Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica
no Trabalho, em Portugal” e resulta dos 8 dias de trabalho que em 2022 cada trabalhador/a em média perdeu e dos 15,8 dias que, também em média, trabalhou mas abaixo das suas capacidades reais, por razões associadas ao stresse e a problemas de saúde psicológica (em conjunto, mais de 10% do seu tempo anual útil de trabalho).
“Objectivamente, a prevenção dos riscos psicossociais, a par da promoção da saúde psicológica e do bem-estar, se baseadas em projectos e iniciativas com base e evidência cientifica e na mobilização de toda a organização (incluindo o empenho e compromisso da gestão e liderança), é um investimento de enorme retorno para a prosperidade e sustentabilidade das organizações, particularmente se aos custos directos anteriormente assinalados juntarmos outros resultantes, por exemplo, da prevenção de erros e acidentes de trabalho (…) Pode, ainda, reduzir significativamente o sofrimento e mal-estar individual e os custos com ele relacionados para sistemas como o de saúde e segurança social e produzir melhorias na produtividade e economia do país”.
“Portanto… Enfim, é fazer a conta”, disse Guterres. Digo-o agora a líderes, a gestoras e gestores, mas também a decisoras e decisores a quem o compete estimular: Enfim, é fazer a conta a tudo quanto de bom pode significar investir na prevenção dos riscos psicossociais e na promoção da saúde psicológica e do bem-estar de trabalhadoras e trabalhadores.