“Não há combate à pobreza sem promoção da saúde mental dos mais vulneráveis”.
Ontem, dia da 1ª iniciativa de recolha de contributos de psicólogas/os no âmbito da campanha “.Final à Pobreza” da Ordem dos Psicólogos Portugueses (integrada nos Trilhos da Psicologia; Ilha do Pico), foi publicada uma entrevista minha no Expresso, conduzida e assim titulada pelo Bernardo Mendonça.
Nela reflectimos os contributos da psicologia para o combate à pobreza em Portugal. Desde evidência, parte dela da ciência psicológica, que apoia compressão das causas e consequências das situações de pobreza: da que confirma “a associação forte e cíclica entre problemas de saúde psicológica, nomeadamente a ansiedade, a depressão e o stresse e a precariedade, a exclusão e a pobreza”; ao impacto potencial de um “maior conhecimento e literacia de como se processam estes fenómenos” na forma como poderemos minimizar a estigmatização e culpabilização das pessoas associada a situações de pobreza”.
Abordamos, ainda, a situação da psicologia, as iniquidades e dificuldades de acesso da população (mais vulnerável) e a necessidade de que as “palavras (de decisoras/es) passem à concretização”. Discutimos (boas) práticas nesta área e o que pode ser a concretização da ideia de “não deixar ninguém para trás”. Tratamos, ainda, o papel potencial da intervenção psicológica, não apenas nos contextos de saúde, mas também em maior proximidade, das pessoas, nas comunidades, e de quem decide, na informação e apoio às políticas públicas.
Finalmente, distinguimos pobreza extrema de relativa e abordamos exemplos de como a última impõe pressão, potencial sofrimento e stresse a quem a vive – como num/a estudante do ensino superior que tem durante um período de tempo de não acompanhar a atividade letiva, por exemplo, por um problema de saúde, podem ser distintos os níveis em estudantes dependentes de bolsas de estudo, sucessivamente dependentes de resultados escolares, face a estudantes não dependentes de bolsas de estudo e como poderíamos encontrar centenas de situações ao longo da nossa vida em que um erro, uma falha, um azar, têm um impacto completamente distinto entre quem vive numa situação de pobreza, ainda que relativa, face a quem não vive nessa situação. No fundo, como a pobreza é “geradora de desigualdade e de iniquidades, pode condicionar a participação e acesso, o suporte social e a saúde e bem-estar da pessoa.”
Partilho a entrevista… Partilho o pedido de contributo no portal da campanha. Partilho, finalmente, a crença de que Portugal (e o Mundo) podem efectivamente terminar com a pobreza (particularmente a pobreza extrema), que isso depende de todas e de todos e que as psicólogas e os psicólogos podem dar um contributo decisivo.
Por “um país com mais oportunidades de autodeterminação, de florescimento e de bem-estar, logo com mais saúde mental… Por um país, portanto, com potencial de maior de equidade e coesão social e, também por isso, menos desigual.”