Araquibutirofobia, triscaidecafobia ou pogonofobia. Quaisquer fobias têm como base medos irracionais com impacto significativo no quotidiano e qualidade de vida das pessoas. Em todo o caso, existem fobias que provocam sofrimento a muitas pessoas e nos parecem, por menos comuns, ainda mais irracionais. Aos medos de que algo pastoso se cole ao céu da boca, do número correspondente ao dia de hoje (13) e de barbas (acima respectivamente nomeados), junto a optofobia, o medo irracional de abrir os olhos.
Quem sofre de optofobia, ou de qualquer outra fobia ou problemas de saúde mental, merece toda a atenção e cuidado da parte de cada pessoa e da sociedade. Merece que “abramos” os olhos a esta realidade e que reconheçamos o quão fundamental é hoje investirmos na promoção da saúde mental e apoiar as pessoas que hoje sofrem de problemas de saúde psicológica para recuperarmos o país e uma ideia de futuro das pessoas, famílias e comunidades baseadas numa real aspiração de bem-estar e cumprimento. O quão fundamental é, para que tal suceda, conseguirmos, enquanto sociedade, dar significado ao que as pessoas sentem, sublinhando que existem saídas possíveis e tratamento disponível para os seus problemas, bem como é possível prevenir este tipo de dificuldades.
Assim comecei um diálogo (que aqui partilho) no Dia Mundial da Saúde Mental na TVI24 que partiu da importante premissa que serão hoje, considerando a prevalência pré-pandemia e o agravamento potencial da mesma nos últimos dois anos, entre 2 a 3 milhões as pessoas em Portugal que necessitam de apoio psicológico urgente. Perguntou-me (Interpelou-me), bem, o José Gabriel Quaresma “como pode uma sociedade desenvolver-se de forma saudável quando não olha para estes problemas da sua população?” Perguntou-me (Interpelou-me), também bem, se, “dado que há décadas falamos destes temas”, eu acreditava mesmo “que estes problemas se podem resolver”.
Falamos de causas, de consequências da insuficiência das respostas, dos impactos da pandemia. Falamos de respostas possíveis. Falamos finalmente, optimista que sou, de que só se podem resolver, porque não há bem maior em que se possa investir (com retornos múltiplos) que não as pessoas, principal recurso do país; porque temos recursos disponíveis, preparados e motivados para tal; porque, como a Maria João Marques hoje afirma num importante e corajoso artigo no Público, este “não é um problema só para os outros”.
Não abramos os olhos só para a doença mental. Não tenhamos receio de o fazer com a saúde mental. Uma política humana e sustentável nesta área depende de não investirmos apenas na recuperação, aguardando mais e mais pessoas a necessitarem de ser recuperadas. Depende da conciliação da recuperação com a promoção da resiliência, prevenindo sofrimento e necessidade de recuperação no futuro, criando condições de bem-estar e, através dele, de equidade e coesão social.