“Existem momentos na vida em que não gostamos do que sentimos… Nem sempre é fácil gerir essas emoções e encontrar um caminho no qual nos sentimos melhor”. Foi assim que a @Irina Gomes iniciou o “Descubra as Diferenças”, programa do Canal @Saude + em que conversou comigo sobre o binómio que apelidou de “revolta-apaziguamento”.
Também a propósito de uma boa conversa que ontem tive e porque ainda não o tinha aqui e convosco feito, partilho essa recente conversa onde, resumidamente, procuro:
. Sublinhar que é natural que em determinados momentos da nossa vida possamos sentir alguma revolta (ou mesmo sentir-nos revoltados), fazendo isso parte da nossa existência;
. Referir que, todavia, não podemos “atingir” uma existência plena e completa se nos sentirmos permanentemente em revolta;
. Discutir a subjectividade inerente ao sentimento (quando mais permanente) de revolta e à emoção (por vezes mais próxima da raiva) e como, apesar das suas expressões físicas e emocionais, cada pessoa os descreve à sua maneira;
. Como a revolta se liga com sentimentos de injustiça e, não raras vezes, com a ausência de sensação de controlo e de agência sobre o que nos provoca este sentir;
. A importância de reconhecermos o que estamos a vivenciar, incluindo os “gatilhos” (triggers), sendo a literacia emocional muito importante para tal. Bem como, a relevância dos mecanismos de autocontrolo (emocional e comportamental) e da forma como crenças (por vezes irracionais) podem surgir associadas a este sentir;
. Como a agência – e procuro discutir exemplos concretos – sobre potenciais contributos para a alteração dos fenómenos que nos provocam, por vezes, emoções ou sentimentos desta natureza, pode ajudar-nos num caminho de maior sensação de equilíbrio, paz e bem-estar;
. Como a revolta está presente na adolescência e os seus impactos nas e nos mais jovens e nas pessoas ao redor e como a revolta também vive do e com o Mundo hoje, nomeadamente no que se refere às redes sociais, ao acesso e difusão de informação e a diferentes desafios societais contemporâneos;
. Sobre o apaziguamento, procuro enquadrar e distinguir do termo e significado quando utilizado em contextos mais bélicos (de cedência) para o situar na aproximação a um caminho para um maior equilíbrio e paz, desatacando o papel das relações, do significado e das actividade do dia-a-dia;
. Finalmente, um conselho para quando nos sentirmos revoltados? Tentarmos definir exactamente o que nos está a fazer sentir o que estamos a sentir (não deixar que fique difuso) e perceber o que podemos fazer para o alterar, mesmo que decidamos nada fazer. Se assim fizermos estaremos a garantir agência e controlo sobre a situação. Esgtamos a criar perspectivas e diversificar o que pode ser a nossa actuação e como podemos lidar com a situação, ajudando-nos isso a lidar melhor com a situação, a sentimo-nos mais equilibrados e potencialmente a sentirmo-nos melhor.
Mais em paz.