No Domingo, noite dentro, pude e pudemos fazer algo que muito gostamos, mas que, nesta fase, só em situações mais excepcionais podemos fazer: ir ao cinema. Fomos. Vimos, ouvimos e, sobretudo, sentimos o “Elis & Tom, Só tinha de ser com Você”.
Filme, documentário, em torno da gravação do mítico “Elis & Tom”, álbum que resulta do encontro entre duas pessoas incrivelmente talentosas, Elis Regina e António Carlos Jobim. Lançado em Agosto de 1974, comemora por estes dias o seu 50º aniversário e merece ser ouvido. Como o filme merece ser visto, o álbum merece ser ouvido e ouvido e ouvido. Um álbum com 50 anos.
No filme uma das pessoas que acompanhou a produção do trabalho aborda os impactos da tecnologia, hoje, e como, a seu ver, “torna tudo presente, não dando espaço ao pensamento e à criação de algo intemporal” capaz de passar e permanecer por “gerações e gerações”, como aconteceu com aquele disco. Diz, por outras palavras, que aquele trabalho não seria o mesmo num eventual 1974 numa Los Angeles feita, também, de pessoas com as suas tecnologias, como hoje existem. Di-lo mesmo considerando tratar-se de um álbum de duas pessoas adultas aquando da gravação.
Efectivamente os impactos – quer se trate dos potenciais benefícios, quer dos potenciais riscos – da utilização da tecnologia não se restringem aos bebés, crianças e jovens, momentos do desenvolvimento em que automaticamente pensamos quando reflectimos sobre os impactos das tecnologias.
A este propósito tive uma conversa que partilho com a Carla Rocha para o programa da Radio Renascenca “Quarto do Fundo”. Versando sobre “como as tecnologias podem afectar as pessoas mais velhas”, procurei nela reforçar a ideia anterior. Também sublinhar que os “ecrãs” e a “tecnologia” vai muito além das redes sociais e do telemóvel.
Discutimos benefícios para a saúde e bem-estar das pessoas mais velhas, para a relação, para a conexão, para maior informação sobre saúde e autocuidado e até para a prevenção das demências, através do seu uso adequado e moderado. Tal qual discutimos que usos inadequados e excessivos potenciam os riscos, nomeadamente ao nível de perdas cognitivas, do excesso de preocupação e ansiedade face, por exemplo, a fenómenos sociais decorrentes da visualização sucessiva de notícias, bem como de inactividade, perda de autonomia, dificuldades no sono, maior isolamento e até ao cibercrime.
Terminamos a discutir como podemos equilibrar a utilização dos ecrãs com a presença física junto de pessoas e em actividades, o papel das cuidadoras e cuidadores, formais e informais, neste processo e como todas e todos podemos contribuir para uma melhor sociedade com maior possibilidade de saúde e bem-estar, também através da tecnologia.
Muito obrigado, Carla Rocha.