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Solidão… Um problema de saúde pública.

“Quantas/os amigas/os realmente próximos necessitamos?” Num artigo publicado no The New York Times, Catherine Pearson discute este importante e estruturante tema do nosso tempo a partir da constatação do declínio das relações de amizade próximas nos últimos anos e, particularmente, durante a pandemia. Inquéritos da Gallup demonstram que se há 30 anos apenas 3% das/os americanas/os referia não ter amigas/os próximas/os, estudos mais actuais indicam que até cerca de 13% das americanas e 8% dos americanos assim o consideraram, hoje. Em Portugal o aumento é igualmente significativo, contribuindo para uma realidade onde cerca de 330 milhões de pessoas (mais de 3% da população Mundial) afirmaram não ter comunicado com pessoas próximas nas duas semanas anteriores a um estudo desta empresa.

A solidão e o isolamento social são dimensões relevantes de saúde pública e determinantes fundamentais do bem-estar e da saúde. São, nesse sentido, factores fulcrais a considerar e, fundamentalmente, devem informar a definição de políticas, a acção de diferentes entidades/organizações da sociedade civil e de cada pessoa na relação com outras pessoas. Merecem ser faladas, discutidas e ser promovida literacia para todas as pessoas em seu torno.

Foi o que se procurou com o nono episódio do programa online “Eu sinto.me” (https://eusinto.me), recentemente disponibilizado e que aqui partilho. Abordando a solidão, parte destes pressupostos e da realidade que a Julianne Holt-Lunstad (que esteve em Portugal aquando do IV Congresso da OPP) vem estudando há muitos anos, algo que lhe permite afirmar que o “impacto da solidão na saúde é equivalente ao de fumar 15 cigarros por dia ao longo da vida”. Episódio que conta, como habitualmente, com apresentação da Andresa Oliveira e com contribuições de Fabio Medina, Luísa Ribeiro e Júlio Machado Vaz.

“Pessoa jovem ou pessoa mais velha, a solidão não discrimina.” Assim é e assim afirmava Jo Cox, deputada do Reino Unido que criou a comissão para a solidão, sobre os impactos da solidão na sociedade. Criou-a pouco tempo antes de ser barbaramente assassinada por razões relacionadas com o ódio às e aos outros e à diversidade, combustível do que nos afasta e deslaça. Do que fragmenta a sociedade e fragiliza a coesão.

O trabalho da comissão que criou (que continuou depois do seu assassinato) originou uma estratégia intergovernamental nesta matéria e, mais tarde, uma Ministra da Solidão no Reino Unido. A primeira de um caminho que, entretanto, o Japão também trilhou e que, tudo indica, seja sobre a forma de estratégias, seja através de estruturas de decisão, continuará noutras latitudes, tamanhos são os determinantes solidão e isolamento social na saúde e no bem-estar e o problema de saúde pública que representam.

Esperemos que também em Portugal onde, apesar de uma recomendação da Assembleia da República ao Governo ter sido aprovada em Outubro de 2021 nesse sentido, continuamos sem uma estratégia de prevenção e combate à solidão.

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