Categories
Emergência Climática Futuro da Psicologia Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

A psicologia e a crise climática…

Jacob Rees-Mogg foi indigitado Ministro da Economia, com a área da Energia, do novo governo do Reino Unido. Como sabem, confio muito na possibilidade de mudança e de reparação (mal seria). Em todo o caso, não deixa de ser inquietante que, alguém que há pouco atribuia ao “alarmismo climático” os “preços elevados da energia” e considerava “irrealistas as projecções científicas das mudanças futuras relativas ao clima” porque as/os “meteorologistas têm dificuldade em prever correctamente o tempo”, assumir esta responsabilidade no UK. A isto acresce, ainda, considerar uma “oportunidade interessante” a possibilidade de se voltar a usar o “fracking” para exploração de gás, com todas as suas consequências factuais – na saúde e ambiente – e potenciais.

Além de inquietante tem duas consequências possíveis que devemos ter presentes e procurar mitigar: a) Sabemos hoje, também pela ciência, que a informação e a comunicação sobre as causas humanas do aquecimento global aumentam o envolvimento das pessoas com as questões associadas à crise climática e que este envolvimento, sendo fundamental à mudança necessária (de atitudes, comportamentos e políticas) é, naturalmente, condicionado por lideranças que questionam e procuram fragilizar, explicita ou implicitamente e com motivações distintas, o amplo consenso científico hoje existente e a confiança na ciência produzida nesta área; b) Facilmente constatamos que estes efeitos não se restringem a um país, impactando outros, bem como quão fundamental é uma resposta concertada a nível global para enfrentar desafios societais complexos, como a crise climática.

Em a) e b) temos (Ordem dos Psicólogos Portugueses) e tenho investido, procurando espaço e oportunidade para o meu, naturalmente singelo, contributo. Fi-lo, recentemente, associando-me à II Semana de Psicologia, conjunto de iniciativas promovido pela Associação de Psicólogos Brasileiros em Portugal (que saúdo), exactamente numa conversa com a Patrícia Egerland (sua Vice-Presidente) que partilho. Conversa que focou contributos da psicologia na crise climática que vivemos, com impactos significativos no Brasil e em Portugal. Conversa que abordou, também, a dignidade e direitos humanos, a colaboração nesta área ou a necessidade de cooperarmos e de fortalecermos e agilizarmos a resposta da nossa ciência e das psicólogas e psicólogos aos desafios das pessoas, comunidades e sociedade.

Ao contrário do que o “honorável cavalheiro do século XVIII” (como Rees-Mogg por vezes é apresentado) também disse – que enquanto humanidade “não deveríamos lutar pela mitigação das alterações climáticas, antes adaptarmo-nos a elas” – creio existir caminho a percorrer na prevenção e mitigação de desafios societais complexos (também, mas não apenas, na crise climática) e que existem contributos fundamentais da psicologia enquanto ciência e prática para tal, além dos para a necessária adaptação e reparação relativa às suas múltiplas consequências na saúde e bem-estar das pessoas.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *